Desarmamento 5/10/2005 Dijalma Lacerda - presidente da OAB/Campinas/Cosmópolis/Paulínia "Desarmar. Quem? No próximo dia 23 todos os eleitores brasileiros deverão responder, por referendo, a uma única pergunta - aliás muitíssimo mal formulada - sobre a proibição de venda de armas de fogo no país. Tal pergunta confronta, dissimuladamente, o direito à legítima defesa conferido pela Constituição Federal de 1988, o qual, aliás, consta na grande maioria das constituições de todos os países do mundo. A pergunta sincera deveria ser: 'você é favor ou contra a legítima defesa'? Ocorre que a pergunta, como feita, coloca em cheque a própria seriedade de propósitos do governo que, irretorquivelmente, procura tapar o Sol com peneira ao conferir, à questão da criminalidade, solução ridiculamente simplista. O pior de tudo é que quanto mais se aprofunda na questão, mais se conclui pela total falta de sinceridade nos propósitos governamentais, que usa de concessionárias midiáticas, como a poderosa Globo por exemplo, para convencer a população a votar no sim. Para ficar com este emblemático exemplo da Globo, é no mínimo questionável o uso de seus artistas contratados a favor da tese governamental, quando se sabe que até mesmo para pequenas aparições em programas de outras emissoras é exigível a prévia autorização da contratante, que detém o controle da imagem do contratado. Basta prestar atenção na fala dos artistas para perceber, com nitidez, a falta de ânimo em suas alocuções; a certeza que se tem é a de que eles estão fazendo isto só pela sua empregadora, a Globo. Esse falso enfoque do problema da violência que as imagens televisivas nos têm trazido, fazem por embaçar a real imagem que todos conhecemos, qual seja a de que a criminalidade em nosso país nada tem a ver com o cidadão de bem, com aquele, ou aquela, que possui uma arma em sua residência, para a defesa de sua família. Pesquisas feitas, relativas a assassinatos, demonstram que numericamente os casos de ocorrências em residências são um quase nada diante da enormidade de outros tendo à frente bandidos, policiais etc. etc. Isto sem considerar que um grande número de assassinatos, principalmente aqueles ocorridos nas guerras de quadrilhas, nem mesmo constam nos apontamentos oficiais. Outro detalhe interessante – que aliás é muito mais do que um simples detalhe - é o de que o armamento que se tem apreendido nada tem a ver com o tipo de arma do cidadão comum. Basta se abrir qualquer jornal para se ver que as apreensões são de metralhadoras, automáticas, granadas, AR15, lança mísseis etc. etc., usadas não pelo cidadão comum que compra em lojas – cujas lojas vendem só armas mais simples -, mas pelos bandidos, que as adquirem de contrabando. Alguém seria suficientemente ingênuo para imaginar que com a proibição de vendas pelas lojas, os bandidos iriam ficar desarmados? Ora! Assim, nítido está que o governo quer desarmar o povo, e não a bandidagem." Envie sua Migalha