Desarmamento 7/10/2005 Fernando Racy Markunas "Venho mais uma vez a este poderoso informativo, participar do debate quanto ao desarmamento. E mais uma vez, peço vênia para discordar do migalheiro Kenneth Lewis. Engana-se o amigo migalheiro ao apontar a arma de fogo nos seguintes termos 'O cerne está na simples existência do executor, o instrumento chamado 'arma de fogo'.' A arma de fogo não é o executor. É um instrumento. Não é bom nem mau, por definição. Apenas é, apenas existe. Executor é 'aquele que executa', e para ser um executor não há a necessidade da arma de fogo. Basta o dolo. Basta a intenção de matar. Afinal, quando do assassinato do casal Richthofen - que, frise-se, possuía em casa uma arma de fogo - nada além da intenção de matar foi necessária aos irmãos Cravinhos e à Suzanne. Acredito que se engana ao entender que não importa ser a questão constitucional ou não, e ser referente ao direito de defesa ou não. Somente podemos admitir a restrição de um direito, quando este colida com um direito mais importante. Qual é o único direito que pode ser considerado maior que o Direito à Propriedade? O Direito à Vida e a sua proteção. Se fosse provado - o que não foi, nem será - que o impedimento do comércio legal de armas iria proteger a população, diminuir a quantidade de crimes e acidentes e, assim, preservar vidas inocentes, seria completamente válido o desarmamento. Mas não é. Desarma-se o cidadão de bem, e não se aplica dinheiro algum na segurança pública. Mas digo isso da confortável posição de não precisar andar armado para me proteger, pois moro em uma casa protegida, com seguranças armados em meu condomínio, e tudo o que preciso. Quantos podem? Quantos podem contratar segurança particular (que ainda terá permissão de andar armada)? Quantos podem blindar seus carros? Quantos podem gastar pequenas fortunas para receber uma proteção, que deveria ser feita pelo Poder Público? E como ficam aqueles que devem proteger seu gado de predadores, nos confins do Mato Grosso do Sul? E aqueles que querem proteger sua fazenda produtiva da invasão do MST? (Esclarecendo, o comentário do Sr. Fernando Beltrão Lemos Monteiro é, data vênia, errôneo, tendo em vista que existem os institutos da legítima defesa, e do direito à proteção de seus bens desde que a resposta seja imediata e equivalente à ameaça). Por fim, com o temor de estar me alongando demais em minhas considerações, gostaria que os partidários do sim, respondessem a algumas perguntas: os Juízes, Promotores, Deputados, Senadores e outros que possuem porte de arma inerente à função irão se desarmar? Os políticos - em especial o Dr. Greenhalgh - irão abdicar de suas escoltas armadas, por acreditar na queda da criminalidade após o desarmamento? José Rainha, preso diversas vezes por porte ilegal de armas irá se desarmar e desarmar o MST? Caso alguém consiga responder a todas estas perguntas com um retumbante sim, por favor, me avisem, que então, e só então, mudarei meu voto. Que aliás continua sendo não." Envie sua Migalha