Desarmamento 10/10/2005 Dávio Antonio Prado Zarzana Júnior - advogado em São Paulo/SP "Crônica do Desarmamento: Meu nome é K.L.F., tenho 56 anos. Hoje é dia 25 de dezembro de 2005. Há dois meses, votei pelo 'não' no referendo. Acreditei na argumentação segundo a qual eu possuía o direito de defender-me usando uma pistola 9mm. Estou aqui para contar um fato. No dia X de novembro, ouvi um barulho no meu quintal, à noite. Eu nem possuía uma arma, mas tanta discussão me motivou a comprar uma. Resumindo, eu me levantei, e espiei pela janela... Vi alguém correndo sorrateiramente pelo quintal de minha casa, e depois ouvi um barulho no quarto dos fundos. Sem acordar minha esposa, coloquei meus chinelos, desci as escadas devagar, com todo o cuidado para que o ladrão não percebesse minha aproximação. Destravei a arma e deixei-a preparada. Subitamente, a porta da cozinha, que dá para o quintal, abriu-se de forma abrupta... Numa fração de segundos, pensando em minha mulher, e por jamais tal coisa ter acontecido antes em minha vida, não pensei duas vezes: apertei o gatilho na direção de minha filha, que chegava pela primeira vez tarde de uma festa, e tentava entrar em casa, pois estava sem a chave da porta da frente. Agora, estou profundamente arrependido. Nenhuma argumentação a favor do 'não' é capaz de tirar a dor que eu sinto. Bem, isto é apenas uma 'estória', uma hipótese. Talvez isso nunca venha a acontecer... será?" Envie sua Migalha