Mortes na UTI

27/2/2013
José Domério

"Meus comentários se referem a fatos que teriam ocorrido em hospital, onde uma médica ter-se-ia arrogado poderes de decidir sobre os procedimentos aplicados a pacientes, na UTI, sob sua responsabilidade, segundo a acusação policial, por investigação que teria corrido sob segredo de Justiça, mas que tiveram ampla divulgação na imprensa. De ressaltar, também, que segundo noticiado ontem tal sigilo teria sido relaxado. Estes comentários se inserem, no contexto de Migalhas 3.067, de 27/2/13, em opinião de leitores, que muito prezo, sob o título 'Mortes na UTI' (Migalhas dos leitores - clique aqui). Dilema e paradoxo. Dilema ou 'Escolha de Sofia' pode ser definido como 'situação embaraçosa entre duas soluções fatais' (Dicionário da Melhoramentos, 1969). Paradoxo corresponde à 'opinião contrária à comum'. O episódio relatado me faz lembrar o da 'Escola de Base', no qual a imprensa massacrou pessoas honestas, segundo a Justiça. O episódio do hospital, segundo deduzo das notícias, da conduta da 'médica-deus' (uso o masculino e não o feminino porque o 'ser supremo', em nossa cultura, tem gênero, embora não se reproduza, apesar da trindade (pai, filho e espírito santo) desnuda o paradoxo. O paradoxo do hospital é o mesmo do general que 'escolhe', nas diversas opções, a morte do menor número ou do maior número, se tem ou não tem recursos para mantê-lo. O exército (qualquer exército) sempre escolhe os melhores lutadores, jovens e saudáveis; não escolhe velhos, portadores de necessidades especiais ou doentes, para vencer a luta. Espero que o inquérito policial demonstre a verdade material dos fatos e a defesa os possa enfrentar sem mero apelo ao direito de defesa, se a denúncia criminal que se aguarda for aceita no Juízo Criminal. Atenciosamente,"

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