Desarmamento

19/10/2005
Jose Roberto Amorim

"Caro e ilustre migalheiro Alfredo Daniel Roitmann, (Migalhas 1.276 - 19/10/05) estou a republicar (já foi publicada semanas) a minha experiência. Caso 1) (coisas que a Globo não mostra) Dona Inez 76 anos, viúva produtora rural, mora sozinha a 50m do asfalto e 7,5 km do centro de uma pequena cidade do interior, o vizinho mais próximo (seu filho) a 300m em outra casa, outro vizinho (seu genro) mais adiante uns 500m. Todos próximos ao asfalto Dona Inez está vendo TV parabólica (sofre de insônia) ouve os cachorros latirem e se agitarem e espia pela janela, um carro parou e apagou os faróis, cachorros ficam mais agitados. Dona Inez olha com mais atenção e vê dois figuras humanas (humanas?). Se esgueirando na direção de sua casa onde o neto guarda uma Ford F1000 e não tem dúvidas, pega a espingarda 12, enfia na fresta da janela e dispara! Está feito o banze! Cachorros latem e correm, filho, genro, netos acordam. Bandidos fogem e têm o carro alvejado na lataria pelo genro de dona Inez. A polícia é avisada pelo celular rural e consegue deter o bando. Apuração dos fatos: o bando já havia assaltado e matado em cidades vizinhas (matado por matar, sem reação das vítimas); Caso 2) Uma família de japoneses é trucidada em São Paulo e tem a casa incendiada, não havia sinais de reação das vítimas; Caso 3) Um bando assaltou um banco em Vitória e matou o caixa (o caixa não havia reagido) a polícia fechou todas as BRs, o bando fugiu para o interior e chegou a um pequeno distrito rural, parou no posto para abastecer e perguntaram como fariam para atingir a BR 262. O proprietário do posto desconfia e mostra o caminho errado, eles partem, o proprietário aciona o único policial que havia no local, o cabo planeja a ação, convoca os moradores armados e diz: eles vão voltar, vou fazer sinal para eles pararem, se pararem podem ser pessoas realmente perdidas, se não pararem certamente são bandidos. Assim foi feito, o cabo ficou na entrada do povoado e fez sinal para que parassem, aceleram e tentaram atropelar o cabo que pulou de barranco abaixo e a italianada abriu fogo. Apuração dos fatos - quatro assaltantes mortos e, dinheiro de dois bancos recuperados (já haviam assaltado 1 banco no sul da Bahia, também com vítimas sem que tivesse havido reação) e um cabo promovido. Caso 4) 22 horas estou na janela de meu apartamento primeiro andar, olho a rua e vejo uma jovem andando apressada, um carro passa e para adiante, o motorista fala alguma coisa para a moça, ela repele com gestos e palavras – não, não, já disse que não, o motorista salta e vai para a calçada e sai do meu raio de visão, grito para um adolescente que estava embaixo no pátio do condomínio: Alemão veja o que esta acontecendo na rua! Ele olha e responde: O cara querendo empurrar a moça para dentro do carro! Grito para o alemão: marca a placa do carro! Pego minha arma (levo a arma na mão e o cano dentro do bolso traseiro ) e desço, ao passar pela portaria o porteiro assusta e me acompanha. Já na calçada me protejo atrás de um veiculo e grito: Ei rapaz, que bagunça é essa! Ele responde: Vai se meter com sua vida coroa! Eu gritei já deixando ele ver a arma! Solta a moça que já marquei sua placa e chamei a polícia! A moça aproveita a distração, correu passou por mim e foi amparada pelo porteiro e levada para dentro do condomínio. Falei para rapaz: não vai embora não porque já chamei a polícia e marquei sua placa! E fui guardar minha arma. Apuração dos fatos. A moça chorando muito ligou para o pai que veio buscá-la, era um ex namorado inconformado com o fim do namoro. O pai da moça deu uma bronca e fez ameaças ao rapaz e mandou ele embora e dispensou a polícia e me agradeceu. Posso ter me metido na vida alheia, também posso ter evitado uma tragédia tipo a da filha da novelista e de outras milhares que acontecem no cotidiano e todo mundo reclama: todos viram e ninguém fez nada! Eu só fiz, faço, mas só faço denúncias de suspeitos porque tenho uma arma legal para me proteger."

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