Caso Maluf 24/10/2005 Alexandre de Macedo Marques "Recebi de um jovem um comentário inflamado de indignação e cópia da foto em que o Ministro Carlos Velloso é cumprimentado pelo advogado dos Maluf. A seguir a minha resposta ao 'pasionario' jovem militante. 'Caro, Sou advogado. Acho que os Maluf merecem cada segundo que passaram presos e espero que a polícia e a Receita consigam provas suficientes para que a Justiça possa castigá-los com vários anos de prisão. No entanto expresso a minha opinião - que foi o entendimento do STF - que a prisão dos Maluf nesta fase do processo era uma violência e ilegalidade jurídica enormes. Dê uma olhada nos princípios que pressupõem a prisão cautelar e V. vai entender por que a prisão deles era uma violência jurídica só possível por que há juízes que antepõem à lei seus rancores, temores e ideologias pessoais. Temos que lutar pela manutenção do Estado de Direito em todas as suas nuances. A chamada 'voz rouca das ruas' não é a melhor consciência para avaliar certas situações. Possivelmente você é um jovem cheio de ideais inflamados. Mas os ideais não prescindem a razão, a ponderação, a honestidade intelectual e os princípios. Cuidado com certos jornalistas, tipo Noblat - sua fonte e instigador - Jânio de Freitas e outros engajados numa esquerda raivosa e alienada. Ex-suportes do PT na mídia e que hoje o deploram por que não radicalizou frente ao que eles chamam de democracia burguesa. São como lobos que vestem a pele de cordeiros. Ou melhor marxistas e/ou leninistas, stalinistas em busca da falida ditadura do proletariado. Coitados, são os primeiros a serem degolados. Dizem tudo em nome da democracia, da transparência, do povo. Tudo falso engodo.E esse engodo engana muita gente que lhe confere a aura de profetas da verdade absoluta. Lembro-lhe o famoso texto do Brecht, reação às práticas nazistas de desrespeito aos Direitos do Homem. Cito-o de cor, peço desculpa pelas imprecisões. 'Primeiro vieram e levaram os negros. Não me importei, não sou negro. Depois levaram os judeus. Não me importei, não sou judeu. Levaram os padres. Pouco me importou, não sou padre. Depois foram os comunistas, não me importei, não sou comunista. Agora estão levando a mim, porém já é tarde. Não tem ninguém que me defenda.' Entendeu por que a gente, embora considere os Maluf uns sacripantas, tem que defender o seu Direito? Quanto ao cumprimento do Ministro e do advogado de defesa significa o reconhecimento de uma brilhante exposição de Direito Penal e Constitucional. Acompanhei todo o julgamento. Não morro de amores pelo Batocchio - pelo contrário tenho severas restrições ao seu caráter - como político. Mas sua exposição no plenário do STF foi uma aula de Direito, simplesmente magistral.'" Envie sua Migalha