Crise política

25/10/2005
Daniel Gomes de Miranda – Fortaleza/CE

"Crise Institucional e a Falta de Líderes. Tenho apenas 22 anos de idade. Reconheço-me jovem e inexperiente. Desde menino, entretanto, acreditava que a única função dos dirigentes de um país seria proporcionar a melhoria da qualidade de vida da população, combater a pobreza e as desigualdades sociais. Foram esses pensamentos que me fizeram crer que tais soluções somente poderiam advir de um governo de esquerda, haja vista que a direita, marcada em minha curta vida pelos dois governos de FHC (e sua política de privatizações), se mostrava incapaz de alcançar as finalidades que eu julgava imprescindíveis para o crescimento do país. Ao adentrar a Faculdade de Direito da UFC, onde me graduei em julho passado, comecei a sofrer influência dos escritos dos mestres daquela Casa, como Paulo Bonavides, Arnaldo Vasconcelos e outros. Nesse momento, as convicções da meninice se fincaram em minh’alma de tal forma que, no ano de 2002, quando da campanha presidencial, eu, como grande parte do povo de meu País, acreditei que Lula e um governo do Partido dos Trabalhadores seriam a salvação da crise institucional e moral que assolava a nação. Vibrei com cada propaganda política da campanha (sobretudo naquela em que um jovem louvava as grandezas naturais do Brasil, findando com um 'Viva Luiz Inácio Lula da Silva'). Participei de várias discussões políticas entre meus colegas de Curso, estando todos nós empolgados pela grande chance de termos, finalmente, um governo de esquerda que pudesse nortear a recuperação da Pátria. Chorei quando da tão esperada Vitória; comunguei das lágrimas do Presidente Eleito que vertia tantas no momento da diplomação no STF; sonhei muitas noites à espera de 1º de janeiro de 2003, quando o Brasil tomaria o rumo da salvação, pensamento que se fazia presente na vida da maioria da população. Após todos os fatos passados desde aquele 1º de janeiro até os dias de hoje, vejo-me completamente desolado, descrente de qualquer possibilidade de um dia ver meu sonho realizado. Com os acontecimentos mais recentes, os dirigentes do PT acabaram com a credibilidade da esquerda, puseram uma pá de cal nos sonhos de muitos de nós, apaixonados pelo Brasil, crentes no desenvolvimento do País, na diminuição das desigualdades, na profusão da Justiça Social entre os homens. Descrente, não consigo mais vislumbrar nenhum líder capaz de governar meu País como se deveria, solucionando os problemas existentes, em detrimento dos interesses de grupos que sugam os dinheiros públicos em prol de si próprios. Meu Brasil – Nosso Brasil – não tem, em nenhum dos poderes, uma liderança, senão veja-se: no Judiciário, o Ministro Nelson Jobim não passa de um capacho do executivo (perdoem-me, não encontro expressão mais apropriada), sobrepondo interesses políticos em detrimento da Carta Magna, por cujo respeito e obediência deveria velar; no parlamento, a Casa do Povo é chefiada por um pau-mandado do Planalto, o qual conseguiu ser eleito mediante compra de votos disfarçada sob o manto da concessão de verbas para obras públicas; no Senado, malgrado seja de um partido que não se submete completamente aos quereres do Executivo, o Senador Renan Calheiros se conduz da forma preconizada por aquele Poder; por fim, mas não menos importante, no Executivo se apresenta a maior frustração da história desta Nação: um Presidente dissimulado, sonso, falso, que nega ter conhecimento das falcatruas que se davam sob seus olhos e se abstém de tomar uma atitude enérgica contra a corrupção. Ora, veja-se que nenhum dos acusados em toda a crise foi afastado pelo Presidente da República, mas por conveniência própria, porquanto o Chefe do Executivo não teve pulso de tomar atitudes mais enérgicas. Não sei que rumo político tomar. Não sei se este País ainda poderá ter solução. O PT e seu representante máximo sepultaram as últimas esperanças que alimentavam o meu espírito, assim como o de muitos outros irmãos dessa Nação. Esse é um desabafo e um questionamento para os amigos do Migalhas. Será que um dia conseguiremos livrar este País dessas mazelas?"

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