Migalhas

27/10/2005

"Em minha por mim próprio assumida qualidade de 'excubitor canis', ou seja, cão-de-guarda da linguagem erudita utilizada por essa gazeta, lanço meu reparo quanto à lide JUS CANE, estampada em a nota insculpida na edição 1.281, de 25/10/05, a propósito do fiel animal. Pouco importando, neste passo, o teor do bem posto comentário, cumpre-me corrigir o título para JUS CANIS, a saber, direito do cão, estando o segundo verbete em equívoco ('cane', ablativo, quando deveria grafar 'canis', genitivo). O que, dito e achado conforme, vai por mim assinado."

 

Antônio Carlos de Martins Mello - Fortaleza/CE

Nota da Redação - Nosso amado Diretor, do alto de seu suntuoso gabinete, determinou hoje que uma comissão de redatores rasgue o país com o objetivo ir ao encontro do migalheiro acima, uma verdeira fortaleza na língua de Cícero, para tentar convidá-lo a integrar o grupo de feitores deste informativo. Já antevendo as dificuldades, primeiro para transpor, em lombo de burro, todo o percurso, depois pela complexidade em convencer tão douto leitor a integrar o seleto grupo de ensaístas, nosso amantíssimo líder bradou : quod faustum, felix, fortunatumque sit.

"Rareiam, no Brasil, os estudiosos da língua de Cícero; levando em conta esta notória inópia de cultura clássica e a fim de ainda mais opulentar de subsídios eruditos e práticos o meu livro predileto, inseri na terceira edição o sentido, em vernáculo, das numerosas frases latinas que, por motivos de boas técnicas, eu transcrevera na obra propositadamente sintética. À semelhança do possuidor zeloso de um colar de preço, que se compraz em ensartar pérolas novas e rútilas (...)"

Carlos Maximiliano
Rio de janeiro, dezembro de 1940
Hermenêutica e Aplicação do Direito
Prefácio da 3
ª edição

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