Caso Maluf 28/10/2005 Arnaldo Xavier Junior - advogado, poeta, escritor "Até tu Brutus... 'Estupra, mas não mata', 'vou colocar a polícia na rua. Lugar de bandido é na cadeia' etc... Quem não se lembra dessas frases que na própria entonação fazem lembrar certo político paulista? Pois é, antes, sob o manto da impunidade e protecionismo de alguns segmentos corruptos e corruptores de instituições sérias, ou pelo menos, assim o deveriam ser por regra, certo cidadão propalava impropérios, se dizia o 'salvador da pátria', e almejava chegar ao comando até da Nação, e por isto passou a ser idolatrado por muitos; odiado por outros; claro, mas sempre conseguiu nas suas embrulhadas, fazer-se visto como cordeiro, quando se tratava do próprio lobo. Chegou até, dentro de suas manobras e protecionismos que tinha, a ser considerado o 'homem que rouba, mas faz', como se isto fosse louvável, como se um erro justificasse outro. E é oportuno frisar, mais uma vez, e para reforçar, a expressão por tal cidadão tão veementemente propalada de que 'lugar de bandido é na cadeia'. Mas os tempos mudam, as pessoas mudam, e a única coisa que evolui sempre para o bem é a natureza. E ela cobra, e outrora 'senhor' dos desatinos empolgado, agora desatinado descontente. Já se ouviu muito dele a afirmação de que 'bandido deve morrer na cadeia'; mas claro, quando esse bandido é o filho dos outros, ainda que um famigerado que rouba ou furta por necessidade, por falta de oportunidade. Bandido que nunca exerceu cargo de confiança, nunca foi Prefeito, nem Governador, e muito menos biônico. A natureza é sábia, o Juiz um executor das vontades de Deus, que criou Adão e se lhe impôs que: 'Poderás comer livremente de todas as árvores do jardim, mas da Árvore da Sabedoria do Bem e do Mal não comerás, pois no dia em que dela comeres, com certeza morrerás'. E comparado a Adão, aquele que tanto se dizia um homem acima do bem e do mal, um homem temente a Deus e que jamais perdoaria criminosos, num deles se transformou, e de crítico da criminalidade e pregador de prisões indevidas e demasiadamente injustas a cidadãos, dela agora experimente, sente na própria carne o teor do veneno que destilava. 'Bandido deve morrer na cadeia', mas claro, desde que o bandido seja o próximo; pois no experimento de alguns dias de prisão, referido cidadão não tem agüentado e reclama para si toda sorte de benefícios permitidos na lei. Outrora, veemente em pedir a negativa de tais concessões a cidadãos que muito mais dignos certamente eram e/ou se apresentavam. Afinal, entre um pacote de bolachas e uma fortuna em milhões de dólares norte-americanos, este segundo se apresenta muito mais escandaloso. Mas os valores invertem, e o mal humano é só olhar para o próprio umbigo, esquecendo-se da subjetividade de cada situação, e se esquecendo que julgamentos humanos são eivados de erros, e vezes a fio erramos e, por tais, sempre pagamos. A natureza, como já afirmado, é perfeita, justa e cobra. É a reorganização do rumo natural do universo, é o voltar aos trilhos da velha locomotiva que homens tresloucados fizeram descarrilar. E talvez nem mereça tanto, pois ao contrário do que dizia, morrer na cadeia é deprimente, é tirar do cidadão o direito ao nome limpo na história, ainda que a história seja triste, e ainda que faça as lembranças de um homem serem esquecidas pela sordidez de seus atos. Que a história lance-lhe nos livros merecidos, e que desta página meu nome nunca conste. Outrora talvez, doravante jamais." Envie sua Migalha