Crise política 7/11/2005 Pedro Luís de Campos Vergueiro - Procurador do Estado de São Paulo aposentado e advogado "Agora, em incessante crise pessoal e íntima, o Presidente Luiz Inácio exterioriza sua insurgência contra um 'denuncismo vazio'. Diz que só no final das apurações é que se poderá culpar, ou inocentar. Embora não se revista de originalidade, partindo de quem parte, é uma conclusão brilhante, porém, com jaça. Uma investigação, seja ela qual for, tem seu início com um flagrante, ou com uma denúncia (alguém chama a polícia). Salvo o escandaloso, televisionado, recebimento de propina, dar um bom flagrante é difícil de acontecer, salvo se tiver sido preparado. Afinal quem faz coisas erradas, fá-lo às escuras, é claro. Se as coisas não acontecessem às ocultas, seriam muito mais simples as investigações. Estas, então, quase que seriam desnecessárias, não fosse a necessidade de se apurar o tamanho do estrago e quem e quantos estiveram envolvidos na trama. O que pretende o Sr. Luiz Inácio com sua indignação lançada em praias do exterior? Sendo governo, emergida a denúncia, sua obrigação é mandar apurar, doa a quem doer. Para isso existe a sua Polícia. E, ainda mais, mandar apurar com muito mais empenho por se tratar de denúncia de uma prática delituosa doméstica. Também para esse objetivo é que as CPIs são criadas pelo Poder Legislativo, pois para o exercício de atividade investigativa seus membros foram eleitos. Estas, as CPIs, hoje em dia, por que televisionadas, têm uma função socialmente salubre. Portanto não há absurdo algum nas denúncias, que não são meros boatos, como a realidade das apurações investigantes, aos trancos e barrancos, vem demonstrando. O que interessa ao cidadão sofrido e pagante dos seus tributos é que essas denúncias sejam apuradas e punidos os responsáveis. E rapidamente. Seja quem for o agente político, a cidadania não compactua com a má gestão das receitas públicas e, sobretudo, com sua utilização para fins espúrios. Afinal, quem pede desculpas, pede porque errou... e sabe muito bem porque e quanto errou, e até que ponto prejudicou os cidadãos deste país. A continuidade das apurações, é preciso que se mantenha." Envie sua Migalha