Medicina

7/11/2005
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Estou vendendo pelo preço que comprei. Mas, o que sei é que nos idos do velho Mao Tse Tung, a medicina chinesa funcionava, e de forma diametralmente oposta aos princípios da medicina oriental. Em outras palavras, um recém-formado médico chinês não podia, naquela época em que todos os bens e meios pertenciam ao Estado, fixar-se para exercer sua profissão onde quisesse. O Estado determinava o local de prestação dos serviços, de acordo com a necessidade observada. E fornecia ao profissional um certo número de pacientes, perfeitamente identificados, os quais deveriam ser atendidos pelo profissional que, em razão disso, recebia de cada qual um certo percentual de seu salário mensal. Se, porém, algum dos pacientes ficasse mal de saúde, e tivesse de ser internado em um hospital ou clínica, então aquele percentual deixaria de ser pago ao médico, para ser encaminhado ao estabelecimento que passou a atendê-lo. Assim, a moral da história é que o interesse do profissional chinês se dirigia à manutenção de seus pacientes em plena saúde, ao contrário dos profissionais ocidentais, que ganham dinheiro com a doença de seus pacientes, ou clientes. Se algum dia isso foi verdade, nos dias de hoje não é o que ocorre, como se depreende da notícia publicada pela Folha de S. Paulo, no sentido de que uma mulher em estado de coma foi enviada, ainda viva, a um crematório, porque seus familiares não tinham mais dinheiro para pagar seu tratamento médico. O que acontece é que, em Pequim, os familiares evitam deixar o doente no Hospital além dos dias que podem custear porque, após esse prazo, os doentes (ou seus corpos em caso de morte) são impedidos de deixar o local antes que toda a dívida seja paga. Felizmente para o doente, ou infelizmente para a família já sem meios, um funcionário do crematório percebeu que a 'morta' ainda estava respirando, e alertou as autoridades."

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