Falso seqüestro 21/11/2005 Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL "18/11/2005, 15h, minha cunhada estava no meu escritório, em uma reunião acerca de um contrato de repente soa seu celular. Do outro lado, uma voz ameaçadora avisava: sequestramos seu filho. Ele está conosco. Queremos dinheiro. Criado o trauma, todos no escritório se dedicaram a encontrar o 'sequestrado', que atendeu seu celular para informar que estava bem, almoçando em casa com sua esposa e filha. Passado o susto inicial, a solução era verificar o celular que havia recebido a ameaça, para identificar o autor da ligação. Daí, a surpresa: número não identificado, ou número privado. Ou seja, nada de identificação. Como se faz isso? Todo mundo sabe. Basta solicitar à sua operadora que não identifique seu número. E quando você liga para alguém, a informação será: número não identificado, ou número privado. A pergunta é: a quem isso serve? Se eu ligo para alguém, quero que essa informação exista. A não ser que eu seja um idiota qualquer, passando trotes não identificados. Mas, o serviço telefônico deve privilegiar isso? Outra utilidade é para os detentos, em cadeias de alta, média ou nenhuma segurança, nas quais os celulares estão disponíveis, assim como as drogas, etc. Para esses, que não tem como ocupar seu tempo, a não ser elaborando novas formas de ilícito, é interessante que as operadoras se disponham a esconder os números que fazem ligações. Mas, se isso só serve aos idiotas, passadores de trotes e criminosos, por que o 'serviço' existe? Por que é colocado à disposição? É do mais absoluto interesse que tal serviço não exista. Que todas as pessoas que utilizem um telefone, fixo ou celular, possam ser identificadas pelos identificadores de chamadas. Se isso pode acabar com os trotes idiotas ou, melhor ainda, com os falsos sequestros, por que não? Se as teles, tão ciosas de seus 'serviços', não percebem que isso é, na verdade, um 'desserviço', por que nossos legisladores não se ocupam do assunto? Vida de legislador é assim. Na maior parte do tempo se pode não fazer nada, e fingir que se trabalha. Mas, há algum tempo que deve ser dedicado a algo útil, como o que se propõe aqui. Atenção legisladores: Um projeto de lei nesse sentido, com uma boa ação de marketing, pode ser elemento de interesse para uma reeleição. Transparência total, identificação absoluta. É essencial que os criminosos, e os idiotas, não possam se servir da tecnologia para a execução de seus crimes. É essencial que os telefones, fixos ou celulares, se prestem a seu fim específico, qual seja a comunicação legítima, profissional ou não, na qual as pessoas não tenham porque se esconder, não tenham porque ficar anônimos, o que só serve a maus propósitos. Ou ao lucro das operadoras..." Envie sua Migalha