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2/12/2005
Conrado de Paulo

"O Evangelho morreu na cruz. Paulo, o manipulador da herança de Cristo, é aquele que fez, da vida pautada numa inocência, uma religião da culpa. Junto com ele, foram erigidas interpretações que deixaram a existência à mercê de uma mentalidade balanceada pela idéia de recompensa e castigo. Uma idéia mercantil de débito e crédito. Paulo é o inventor do além no cristianismo e a sua invenção foi a que venceu. Se antes o Reino de Deus não passava de um estado num coração bondoso, agora passara a ser algo para além da morte, numa outra realidade denominada de além-mundo. E as palavras de Paulo adaptaram a 'boa-nova' para servir a toda uma hierarquia eclesiástica, repleta de regras apoiadas num moralismo decadente. Foi um verdadeiro disseminador da estrutura que fundamentava-se sob tudo o que Cristo teria combatido no farisaísmo. A lógica do farisaísmo que estava presente em Paulo era a mesma que havia levado Cristo para a crucificação. E o apóstolo foi mais longe, pois fez questão de uma casta sacerdotal agindo, tiranicamente, sobre um rebanho. Ele representou a vitória farisaica sobre aquele que morrera na cruz. Com Paulo o cristianismo tornou-se decadente. Cristo não era mais a referência e sim Paulo sob o nome de Cristo e foi sobre ele que a Igreja organizou-se. Com a idéia de juízo final considerada pelo apóstolo, implantou-se o medo à vida terrena. Paulo transformava Cristo no Salvador da humanidade, aquele que tira o pecado do mundo. A culpa grassava pelo mundo, sob o domínio do novo império: o do cristianismo. Uma vida de amor de Cristo acabou em uma doutrina de ódio para com esta vida. Paulo encarna a negação da vida. E a partir de Paulo toda cristão passa a ser um ressentido. Só a prática cristã, uma vida tal como a viveu aquele que morreu na cruz, é cristã. Paulo foi o responsável por o Evangelho passar a ser considerado um divisor moral, no qual os cristãos se apegam, como, para com pouca modéstia, classificarem-se como os eleitos, contra o restante do mundo. Paulo foi o responsável por esse delírio de grandeza. Somente alguém carente de muito amor é que poderia ter inventado um Deus como puro amor. Por tal significado de Deus Amor, os cristãos são exatamente o seu contrário: seres de ódio, carentes e ressentidos. Paulo (leia-se a Igreja) foi o primeiro teólogo, que invertendo os valores da existência, tortura os cristãos com a idéia eterna do pecado, da culpa, e de uma vida eterna no Paraíso, só para quem seguir cartilha inventada por ele."

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