Religião

9/1/2006
Armando Rodrigues Silva do Prado

"A discussão sobre religião (Migalhas dos leitores – "Religião" – clique aqui), na maioria das vezes, mascara questões como a liberdade de consciência e a real/conseqüente separação da Igreja do Estado. A separação da Igreja do Estado é uma ficção, seja nos EUA ('In God We Trust'), onde volta e meia, os círculos mais reacionários exigem o ensino do 'creacionismo' em contrapartida às teorias de Darwin (alguns Estados estabeleceram tempos iguais para aulas dedicadas à evolução e ao 'creacionismo'), seja no Brasil onde a religião se faz presente em feriados, na Constituição, em recintos públicos através de símbolos cristãos, aula de religião em escola pública, isenção de impostos para os templos, referências às convicções em documentos oficiais, etc. Também a imprensa das grandes famílias está cada vez mais sob a influência e controle da 'Sociedade Sacerdotal de Santa Cruz', ditando a ideologia da alienação. Na maioria das sociedades impera a 'colaboração' entre o Estado, a religião e o Direito, rezando (sem trocadilho) as relações matrimoniais e familiares, consagrando a posição dominante dos homens e fixando a desigualdade da mulher. Disfarçadamente, prevalece o direito canônico, regulando em maior ou menor medida, as ditas relações familiares, inclusive em algumas países tradicionalmente democráticos, como a Inglaterra, Holanda e Bélgica. Isso se agrava em países islâmicos e em Israel, onde existe o Ministério da Religião que, inclusive, estabelece listas de cidadãos 'privados do direito ao casamento', em função da origem ou conversão judaica serem 'suspeitas', etc. Na maioria dos países, e principalmente em terrae brasilis, o Direito reflete os interesses da Igreja em matéria de educação, pisando as liberdades de consciência. Exemplo disso são as escolas confessionais. Na França, onde existe Lei proibindo a escola confessional, continuam existindo. Nos EUA as entidades religiosas controlam 80% das escolas particulares. Portanto, geralmente, o Estado, a Igreja e o Direito estão interligados, afetando diretamente a liberdade de consciência e, conseqüentemente, atingindo a liberdade, a democracia e a Justiça. Os reacionários dominantes especulam com os sentimentos religiosos das pessoas, abusando de sua credulidade e fé, conduzindo-os ao erro. De todas as religiões, a que revelou mais intolerância, empregando métodos mais desumanos, foi a Católica: organizou cruzadas sangrentas, inquisições, guerras, etc. A Revolução Francesa está por se concluir, principalmente, no que tange à prevalência do direito do homem sobre o dogma, o Estado e a Igreja, numa palavra, a real separação do Estado da Igreja, porquanto, a religião é um assunto particular em relação ao Estado. Liberdade, igualdade e fraternidade (mais do que nunca)."

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