Política econômica

26/1/2006
Abílio Neto

"Ilustre migalheiro Tiago Bana Franco, são bastante sensatas as suas colocações, mas como tratou das sociedades abertas como opção de futuro para os trabalhadores, tenho a fazer algumas pequenas considerações: observou-se durante a expansão das grandes empresas, particularmente sob a forma de sociedades por ações, grandes mudanças no capitalismo, a partir da segunda metade do século XIX. Tomando a matriz do capitalismo como exemplo, lá nos EUA essas mudanças não foram tão saudáveis assim para todos, eis que grandes companhias atuando em setores estratégicos como transporte ferroviário, petróleo, siderurgia e até indústria alimentícia, acionaram o motor do capitalismo 'gerencial-monopolista', substituindo a fase anterior 'empresarial-competitiva'. Também foi lá que surgiram poderosos investidores individuais ou grupos restritos de capitalistas que, operando através dos seus 'veículos de investimentos', passaram a promover vultosas operações de compra e venda de lotes de ações/títulos, causando um impacto drástico no destino das sociedades abertas em geral. Os efeitos negativos dessas ingerências, proporcionando muitas vezes o declínio das ações de empresas bem administradas, em Bolsas de Valores, tiveram como conseqüência aquele movimento que se tornou conhecido como 'Revolta do Conselho de Administração', porque fez desaparecer o capitalista dono do seu próprio nariz. Assim, as estratégias dos Conselhos de Administração das sociedades (representantes dos acionistas), foram inúmeras vezes reestruturadas ou mesmo eliminadas em função do resultado das Bolsas. Surgia dessa forma o capital financeiro em toda a sua plenitude, envolvendo o capital bancário e industrial numa estreita relação. Se entre 1910 e 1980, o centro do capitalismo deslocou-se dos cartéis industriais para o sistema bancário, a partir de 1981 ele se transferiu dos bancos comerciais para os bancos ou fundos de investimentos. Não sei se os trabalhadores saíram ganhando com essa situação. Se o capital financeiro hoje confunde os esquerdistas porque não sabem a quem combater (na luta de classes é preciso conhecer o patrão), também acabou com a figura do capitão de indústria da fase romântica do capitalismo. Voltando ao tema privatização, não se sabe por que os economistas do liberalismo econômico de hoje não mais falam em 'Estado Mínimo', mas em 'Estado Necessário e Suficiente'. Há nesse sentido até uma convergência de idéias com correntes atuais da esquerda, o que pra mim é uma coisa surpreendente. Mas qual será o tamanho do Estado Necessário, Sr. Tiago? Cordiais Saudações."

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