Inocêncio Oliveira, deputado federal, foi condenado por manter trabalhadores da Fazenda Caraíbas em condições semelhantes de escravos

9/2/2006
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Inocêncio é o masculino de inocência, que significa candura, pureza, simplicidade, ingenuidade. Inocêncio é, também, o primeiro nome do deputado Inocêncio de Oliveira (PL/PE). Em tese, a nenhum deputado caberiam palavras como candidato, puro, simples ou ingênuo. Menos ainda em relação ao deputado Inocêncio de Oliveira proprietário de fazenda no interior do Maranhão onde, em 2002, foram encontrados 53 trabalhadores em condições análogas a de escravos. No local, a fazenda Caraíbas, de propriedade do parlamentar, os 'trabalhadores' eram impedidos de sair do local por seguranças armados (Migalhas 1.351 – 8/2/06 – "Condenado"). Na ocasião, Inocêncio, inocentemente, alegou não saber de nada, que nem ia lá. A afirmação, singela, cândida e pura, deixou a todos a impressão de que nossos deputados são tão ricos que compram vastas áreas de terra pelo Brasil afora, e nem vão lá. Graças ao bom Deus, contam com empregados de confiança que, armados, fazem a fazenda prosperar escravizando trabalhadores, fato que sequer levam ao conhecimento do proprietário, o deputado no caso, que, por falta de tempo, também não questionou seus lucros e seus gastos com pessoal. Mas, é forçoso concluir que, isento ou não de malícia, ingênuo ou não, cândido ou não, manter escravos em suas propriedades não pode deixar de ser considerada falta de decoro, ainda mais de um parlamentar, do qual se exige correção moral, compostura, decência e dignidade. Ainda que Inocêncio se chamasse Decêncio, os atos praticados em sua propriedade, por seus prepostos, o foram sob sua responsabilidade. E agora, o TRT do Maranhão acaba de manter a condenção, por dano moral, do deputado Inocêncio Oliveira, exatamente pelos fatos acima narrados. O Delegado Regional do Trabalho no Estado, Ubirajara do Pindaré, afirmou tratar-se de um 'dano moral coletivo', e que a decisão do TRT 'não repara o dano aos indivíduos, mas a toda a sociedade'. Sandra Lia, procuradora geral do trabalho, afirmou que o Judiciário trabalhista brasileiro 'está engajado no sentido de erradicar totalmente essa vergonha que é o trabalho escravo'. E isso certamente significa quebra de decoro, pelo que esperamos nós, cidadãos, que a Câmara dos Deputados inicie o processo respectivo."

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