Partido dos Trabalhadores

14/2/2006
Alexandre de Macedo Marques

"A vetusta tia-avó Georgina, do alto da sua certeza de que 'o diabo sabe muito porque é velho', vem acompanhando com certa dose de malícia a nova pendenga entre marxistas. Num canto do ringue João Fragoso, historiador e professor da URFJ, que se define como 'sou marxista mas para tudo há um limite'. Do outro os dino-marxistas-uspianos entrincheirados nos departamentos de História e Geografia. Instigada a dar nomes aos sauros a maliciosa provecta recusou-se. Por dois motivos, disse. Primeiro não lhes quer dar esse prazer. Por outro respeita o sagrado espaço migalheiro que jamais será um berço esplêndido para glórias indevidas. Vamos ao resumo da ópera, exposta pela corajosa senhora. O núcleo dino-marxista-uspiano, lendo nas Doze Tábuas entregues pelo Celso Furtado (belo nome, comentou a viperina parente), sempre expuseram a história da sociedade brasileira como ditada, desde o período colonial, pela lógica econômica de países centrais. No popular deu origem à fuga da responsabilidade pelo país que construímos. Culpados? Os portugueses, os ingleses, os americanos, os argentinos, os paraguaios, a expulsão dos holandeses e tudo o  mais que couber na imaginação de coitadinhos. O Fragoso é curto e grosso, citando a Professora Maria Yedda Linhares, ao contestar a velha mania de empurrar o suposto 'atraso' brasileiro para as metrópoles européias: 'O Brasil se tornou independente em 1822. Depois disso é falta de vergonha.' E conclui: 'Aqui, e talvez na Venezuela, são os únicos lugares no mundo em que se leva a sério isso. Há um ranço de Guerra Fria'. A tia-avó Georgina, toma carona no imbróglio e tasca uma teoria. Segundo ela, analisado o 'modus operandi' do PT pela crença sauro-marxistas-uspianas, o time da estrela vermelha é um partido político com viés colonialista. Explica: 'a gana com que a malta petista se atirou à exploração e apropriação do dinheiro público, a sanha na divisão do Estado entre os cortesãos e validos do partido, a hipocrisia de suas  razões e métodos, a desfaçatez  do 'não sei, não vi', 'sou, quem não é', só encontram paralelo no que os dinos uspianos e seus delírios atribuem 'à exploração colonial'. Não é que começo a achar que lhe assiste alguma razão? Embalada conclui: 'Pois é. Não nos contentamos em ser apenas um 'país de coitadinhos'. Estamos nos esforçando para ter uma Universidade de coitadinhos. Mais um grande passo para sermos líderes da vanguarda do atraso. Agora com bar a bordo.' Anda impossível, a tia-avó Georgina!"

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