Diagnóstico do Judiciário 15/2/2006 Paulo Ricardo Menna Barreto de Araújo – advogado, OAB/SP 159.654, Mogi Mirim/SP "Prezado dr. Pintassilgo, Foi com surpresa, e com alguma emoção, que li a sua reportagem sobre a comarca de Ribeirão Bonito (Migalhas 1.348 – 3/2/06 – "dr. Pintassilgo" – clique aqui), feita durante esta sua peregrinação pelo interior paulista, com a finalidade de avaliar o Judiciário de nosso Estado. Surpresa porque jamais imaginei que uma comarca tão pequena como a de Ribeirão Bonito pudesse fazer parte já deste primeiro bloco de cidades visitadas. A emoção vem do fato de eu ter residido nesta cidade, nos anos de 1969 - 1970, onde, por sinal, iniciei o meu processo de alfabetização na escola local, cujo nome não me recordo, em razão de meu pai, Juiz de Direito, ter sido nomeado para aquela Comarca. Sou filho do Dr. Décio Menna Barreto de Araújo (1924 - 1973), homem sisudo e com fama de muito severo e rigoroso, que, em sua curta passagem por este mundo, casou-se 2 vezes, teve sete filhos, e fez a sua carreira na magistratura basicamente no interior do Estado. Após muitos anos como Juiz na cidade de Tietê (se me permite uma sugestão, a Comarca de Tietê, ao meu ver, uma das mais privilegiadas do Estado, deve figurar em seu roteiro o mais breve possível), em 1969, quando eu, o filho mais velho de seu segundo casamento, contava com seis anos de idade, mudamos para Ribeirão Bonito. Nossa passagem pela cidade foi breve, mas trago daquele tempo algumas lembranças e até alguma saudade. Moramos na casa que pertencia ao Tribunal de Justiça, designada ao Juiz da Comarca. Lembro-me que era uma casa boa, construída em um grande terreno e um imenso quintal repleto de árvores frutíferas. Uma construção que, para a época, não era antiga, mas onde se observava muitas adaptações ao estilo arquitetônico mais 'moderno'... Morávamos muito próximo a um senhor de nacionalidade norte-americana, Mr. Benny, que era pessoa de muita importância na cidade. Tratava-se de um rico investidor e fazendeiro. Figura singular. Homem já de seus mais de sessenta anos, que morava sozinho em um casarão de esquina, um pouco acima da nossa casa. Muitas histórias eram ditas a seu respeito... Especialmente pelas crianças que temiam o seu 'casarão mal assombrado'! Eu tinha uma certa curiosidade a cerca de Mr. Benny, e logo percebi nele uma figura simpática, falante e bem-humorada, que em nada parecia com o misterioso americano temido pelas crianças da redondeza. Marcou-me muito o fato de, em 1973, quando já havíamos saído de Ribeirão Bonito há três anos e residíamos em São Paulo, por ocasião do prematuro falecimento de meu pai, encontrar em seu velório Mr. Benny. Lembro-me, também, de freqüentar a fazenda da família do locutor de TV Blota Júnior, e de ficar indignado quando conheci uma sua filha, da qual não me recordo o nome, mas se não me engano era Sônia, e saber dela que havia trocado as suas férias na Disney, patrocinadas pelo seu pai, por uma estada de 20 dias na fazenda de Ribeirão Bonito. Outro fato de que me recordo diz respeito à construção do Fórum de Ribeirão Bonito. Quando morávamos na cidade, o Fórum ficava em um casarão muito antigo, e, provavelmente adaptado para abrigar os cartórios, gabinetes, enfim, as instalações todas. No ano em que meu pai esteve à frente da Comarca, iniciou-se a construção do novo prédio do Fórum. A obra foi concluída, se não me engano, em 1972, ou início de 1973. Lembro-me que, já morando em São Paulo, nessa ocasião meu pai já estava doente, mas mesmo assim, com grande esforço compareceu à inauguração do novo Fórum, tendo recebido uma emocionante homenagem. Não tomarei mais do seu precioso tempo com minhas reminiscências, prezado dr. Pintassilgo, mas a sua matéria incentivou-me a contar-lhe esta pequena fase de minha vida, que me veio à mente em razão de tudo o que li. Receba um abraço deste seu grande admirador," Envie sua Migalha