Governo Lula

13/11/2006
Pedro Luís de Campos Vergueiro

"Do ponto e na medida em que pode falar livremente o que quer, o Senador Mercadante, para melhorar a visão de sua postura perante o público, veio de fazer nova preleção, desta vez sobre como deve ser a governabilidade federal para os anos de repetência do Presidente Luiz Inácio. A postura inicial necessária, preceituou, é a de que se deve descer do palanque. Ao mesmo tempo propugna que se deve abandonar a visão romântica da economia do país. Quem vai, ou deve, descer do palanque o Senador não esclareceu, de forma que essa informação complementar ainda deve ser aguardada. E, ao relacionar romantismo com palanque, deixou patente que a governabilidade petista vem se valendo de métodos e critérios totalmente ultrapassadas, do romantismo na sua fase decadente, já suplantado pelo movimentos realista e naturalista, e, quem diria, do abominável coronelismo. Mas não é só. Diz que é necessária a realização de uma 'cruzada' fiscal, com o objetivo de ‘aumentar a capacidade de investimento do setor público’. Se se considerar o ímpeto dos cruzados da Idade Média, o Senador não apregoa outra coisa senão uma maior voracidade na arrecadação de tributos para preencher os vazios dos cofres públicos. Outra coisa que o Senador deixa patente é para os investimentos públicos é necessário incrementar o furor arrecadatório. O aspecto hipócrita das propostas do Senador Mercadante reside na sua sugestão de ‘redução dos gastos’. Fazendo essa proposta, o Senador indica que até então redução de gastos não era uma prática da governabilidade petista, o que, portanto, é a razão dos cofres estarem em baixo nível de conteúdo e fazer-se necessária a organização da tal cruzada arrecadatória. Embora já tenham transcorridos quase quatro anos durante os quais se caitituou a realização de reformas na administração pública, tanto do lado da sua organização como da atuação, segundo o Senador, no que se contrapõe ao que é propalado pelo Presidente Luiz Inácio, ainda se fazem necessárias exatamente as mesmas coisas. O que então, estão os petistas fazendo lá? Duas Emendas Constitucionais sufragaram uma reforma previdenciária, com muito sacrifício para os beneficiários da previdência. Ainda assim, o Senador quer mais, quer mais reforma da previdência. Não, não! Por tudo quanto já se passou, não mais é hora para sacrifícios. O que é preciso é descer do palanque, o Senador inclusive, e instaurar uma governabilidade segundo os moldes do realismo e tendo por lema 'Sacrifício, nunca mais'."

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