Operação Polícia Federal

8/5/2007
José Marcos Ribeiro da Fonseca - funcionário público, Juiz de Fora/MG

"O Quarto Poder (A Moderna Inquisição). A imprensa julgou, condenou e penalizou meus cunhados! A imprensa penalizou não apenas meus cunhados (do qual ainda não conhecemos qualquer condenação pelos meios legais), mas toda uma família de esposas, filhos, mãe, irmãos, tios, sobrinhos,... Condenou sem sequer prezar pelo princípio Constitucional da ampla defesa. Nem ampla nem defesa nenhuma foi dada aos meus cunhados para a condenação que a imprensa lhes impôs. Não estou aqui a absolvê-los sem conhecimento e sem o direito ao processo legal, como condenou a imprensa sem os conhecimentos devidos, apenas creio que não cometeram os crimes que lhes estão sendo imputados, espero e tenho fé de que conseguirão provar na Justiça dos homens. Na 'Justiça da Imprensa', a Moderna Inquisição, já foram condenados. Lembram-se do caso da Escola de Base quando a mesma imprensa condenou 4 inocentes e todos os seus familiares? A imprensa foi cruel. A imprensa é cruel. Não bastasse este triste episódio na memória de sua história, e quantos outros mais... E continuam a bater. E continuam condenando inocentes com a pior das condenações, a moral. Vocês da imprensa não imaginam o mal que fazem a um inocente e à sua família. A humilhação, a desilusão, a desmoralização, a depressão. Condenem os culpados, mas só os culpados. Os suspeitos não são culpados... Os suspeitos são apenas... suspeitos. Aos culpados, o rigor da Lei. Mas não posso admitir e ser insensível a uma condenação sem a ampla defesa, sem os trâmites da Lei, sem o julgamento legal. Não posso admitir que para se vender jornais joguem na sarjeta da moral um possível inocente e toda uma família certamente inocente. Tudo pura covardia. Não consigo imaginar a enorme insensibilidade dos profissionais da mídia. Não consigo acreditar que um jornalista durma tranqüilo depois de tamanha maldade. Não consigo acreditar que os repórteres não tenham família e que não pensem nela antes de publicar um grande mal a outrem que também tem seus filhos a criar. A liberdade de imprensa tão defendida por nós, os pensadores democráticos (que também me incluo, porque não?), há de ter limites. Não limites de censura, mas os limites de consciência. E os limites devem se limitar à exclusiva liberdade; não a liberdade de enxovalhar, não a liberdade de atacar a honra, não a liberdade de dissimular. É permitida a liberdade de suspeitar, mas suspeitar não é condenar, suspeitar não é punir, suspeitar não é denegrir. Por favor, profissionais da mídia, por tantas mães, por tantas esposas, por tantos filhos, por tantos familiares e principalmente pelos inocentes, sejam honestos consigo mesmos e sejam sensíveis ao redigirem seus textos. Resta-nos esperar os fatos, os reais, e não os inventivos da imprensa para voltarmos a dormir tranqüilos. E à imprensa caberá a triste tarefa de condenar outros inocentes para vender mais jornais. É o cúmulo a que chegamos. Por fim, o que dizer da pirotecnia exacerbada da Polícia Federal. Será que é preciso mesmo todo aquele aparato? Aliás, não digo só do aparato, mas de câmaras ligadas para aparecer na mídia. Não seria mais excitante uma melancia no pescoço? Será que estão tentando uma ponta no próximo filme do Stallone? Será que era mesmo necessário filmar tudo aquilo, ou será que estão ganhando algum vendendo pra imprensa suas performances? A se apurar... Ah! Meus cunhados são o ministro e o advogado Paulo e Virgílio Medina."

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