Êxodo rural 4/6/2007 Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL "O êxodo rural é um fenômeno comum e designa o abandono do campo por seus habitantes que, em busca de melhores condições de vida, se transferem para centros urbanos, considerados com melhores condições de sustentabilidade. Em 1957, por exemplo, com o início da construção de Brasília, iniciou-se uma onda de êxodos rurais de diversos pontos do Brasil, para o Planalto Central, principalmente do norte e nordeste, mas também do sul, além de mineiros, paulistas e cariocas. Agora, pelo que se vê, um novo êxodo acontece, em sentido contrário, do Planalto Central para as áreas rurais, já que, pelas notícias dos jornais, não são poucos os deputados e senadores proprietários de fazendas e negócios agropecuários. Aliás, tais negócios só perdem, na preferência dos políticos brasileiros, para o da propriedade de concessões de emissoras de rádios e televisões. Ou seja, é o coronelismo em todas as dimensões, o antigo, de todos conhecido, e o eletrônico, que perpetua as dinastias políticas em todas as casas Legislativas do país. E, nesses casos, não importam as legendas, e nem as idéias ou ideologias, se é que ainda existem valores cultivados pelos partidos políticos. Por outro lado, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) tem especial preferência por invadir propriedades rurais de deputados e senadores. Assim é que, em 2003, uma fazenda do senador José Agripino (PFL), no Rio Grande do Norte foi invadida. Em 2001, foi invadida a fazenda do senador Carlos Bezerra em Mato Grosso. Outros parlamentares foram acusados de manter em suas fazendas trabalhadores em situação de trabalho escravo, como Inocêncio Oliveira (PL), Francisco Donato Araujo (do Piauí), senador João Ribeiro e Jorge Sayed Picciani (PMDB). Isso sem falar do deputado Odilio Balbinotti, quase Ministro da Agricultura, proprietário de 14 fazendas, um total de 12.500 hectares. E, agora, o senador Renan Calheiros, que justifica seus ganhos em atividades agropecuárias exercidas em diversas fazendas de sua propriedade. É, sem dúvida, enquanto o IBGE anuncia importante êxodo rural para os outros centros urbanos, nossos políticos, urbanos que são, dirigem-se ao campo, em um êxodo contrário. Será o IBGE o órgão indicado a estudar o fenômeno? Ou uma nova operação da PF, talvez denominada 'vida no campo'?" Envie sua Migalha