Acidente da TAM

23/7/2007
Fábio de Oliviera Ribeiro

"Já se disse que a pior coisa do mundo é o medo de uma ilusão. A segunda pior coisa do mundo a difusão do mesmo pela imprensa. Estas verdades parecem se aplicar integralmente aos ecos do acidente que vitimou centenas de pessoas. Os defensores do fechamento de Congonhas partem de um pressuposto, qual seja: qualquer que seja a causa do acidente o culpado é o aeroporto. Não é não pode ser! O aeroporto é uma coisa e como tal não pode ser culpado pelos erros de seus administradores. Na capela de Nossa Senhora dos Náufragos, os visitantes nunca irão ver os ex-votos dos afogados. Mas nem por isto alguém teve a coragem de defender o encerramento do transporte marítimo ou o fechamento de algum porto. A razão é simples: por mais trágicos que tenham sido os naufrágios são irrelevantes se comparados à imensa quantidade de embarcações que chegam tranquilamente aos seus destinos. O mesmo raciocínio pode ser aplicado aos aeroportos. Congonhas apresenta problemas? Então vamos resolver os problemas e utilizar o aeroporto da melhor forma! Os administradores do aeroporto, da ANAC ou do raio que o parta cometeram imprudências? Então será preciso punir os culpados! Culpar Congonhas é uma excelente forma de desviar a atenção da população. Os defensores do fechamento do aeroporto agem como alguns jornalistas que cobriram o buraco do Serra. Quando o metrô privatizado do PSDB ruiu, muitos quiseram culpar a chuva como se os engenheiros que projetaram a obra não tivessem avaliado o terreno, dimensionado a construção, etc. A gritaria na mídia pelo fechamento de Congonhas deixa de lado o principal. Quem são os maiores interessados no fechamento do aeroporto? Certamente não são os moradores. Eles escolheram morar ao lado do aeroporto e lá permanecer, muito embora possam se mudar quando bem entenderem. Queiram ou não os defensores do fechamento de Congonhas trabalham em prol dos verdadeiros interessados nesta medida: os especuladores imobiliários e seus sequazes na administração pública. Muita gente está de olho nos negócios que poderão ser realizados caso a Infraero tenha que vender a área. Caso Congonhas seja fechado serão astronômicos os lucros proporcionados pela construção de condomínios de classe alta e média no local. Alguém disse que Congonhas é um portaviões ancorado indevidamente na paulicéia. O argumento é desvairado. Seu autor desconsidera o fato de que o pouso em portaviões é muito mais complicado e delicado do que em qualquer aeroporto terrestre. No mar não há referências visuais próximas que orientem o piloto em caso de falha na instrumentação. Além disto, as aeronaves militares decolam e às vezes pousam carregadas de bombas e seus pilotos têm tanto medo de morrer quanto qualquer aviador civil. O acidente foi uma tragédia. Mas não podemos permitir que os abutres de sempre se aproveitem dos cadáveres e da comoção pública para arquitetar suas mutretas construtivas e politiqueiras. A utilização de Congonhas precisa ser repensada, mas isto terá que ocorrer concomitantemente à construção de um ou dois aeroportos médios próximos à Grande São Paulo. Cotia e Sorocaba são candidatas?"

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