Acidente da TAM

23/7/2007
Romeu A. L. Prisco

"Proposta de tópico para debate durante a semana que se inicia em 23/7/07. O aeroporto de Congonhas e a cidade de São Paulo. O lamentável acidente ocorrido com o avião comercial da TAM, na última 3ª feira (17/7/07), quando se encontrava na iminência de completar o pouso no Aeroporto de Congonhas, tem tudo a ver com a sábia e mal interpretada profecia de um ex-prefeito paulistano, dito 'biônico', no período de 1971/1973, o ilustre e saudoso Engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz: 'São Paulo precisa parar de crescer'. Enganam-se aqueles que pensam e aqueles que dizem ser um erro 'construir um aeroporto 'dentro' de uma cidade grande como São Paulo'. Quando o Aeroporto de Congonhas foi construído, São Paulo já era uma cidade grande, porém, a área a ele destinada se encontrava deserta e plenamente adequada às operações da aviação civil e comercial. Sem as atuais Avenidas 23 de Maio e Rubem Berta, o acesso ao Aeroporto de Congonhas era sinuoso e demorado, feito, principalmente, pela Avenida Ascendino Reis. Destarte, o Aeroporto de Congonhas pode padecer de todos os males, menos o de ter sido construído 'dentro' da cidade. Erraram os administradores de São Paulo, que permitiram a ocupação desordenada das cercanias daquele aeroporto. Erraram os cidadãos, numa proporção de 99%, sem qualquer exagero, que se dispuseram a morar em casas e apartamentos nas redondezas do Aeroporto de Congonhas. Nenhum desses moradores pode dizer que dormiu sem um aeroporto ao lado da sua residência e acordou surpreendido com tal obra. Erraram as gananciosas construtoras e incorporadoras, com a conivência do Poder Público, que possibilitaram a indigitada ocupação. Errou o Brasil em apostar boa parte de suas fichas só na cidade de São Paulo. Agora o problema da cidade de São Paulo vai além, muito além, de simplesmente parar de crescer. Deveria, isto sim, ser parcialmente desconstruída. Infelizmente, não é o que aguarda a metrópole. Grande e poderosa incorporadora se prepara para construir outro monstrengo residencial, destinado a 15.000 moradores, numa larga área do bairro da Barra Funda, que bem se prestaria para um belo e diversificado espaço verde, de lazer e de cultura. Há quem não só esteja aplaudindo essa iniciativa, que em nada resolverá e nem aliviará o verdadeiro problema de escassez de moradias, mas, também deseja mais e mais, como a construção de um 'marco histórico para a cidade de São Paulo' (sic), tipo 'torres gêmeas', de altura superior a 100 (cem) andares ! Acredite se quiser: São Paulo já foi uma cidade bonita e mais humana."

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