Acidente da TAM 23/7/2007 Vania Guerreiro "Dr. Armando Silva do Prado, com todo o respeito pela divergência e pelas opiniões em contrário (atitudes que os defensores de Lula não costumam cultivar), penso que argumentar com frases do tipo 'forças obscuras e retrógradas' mais parecem elementos de filmes de ficção, do que uma situação política onde há divergência. Sinceramente, pobres são esses argumentos tão usados por quem defende Lula. Mas, não o conheço, e por isso mesmo, não deveria lhe dar satisfações. Mas vou fazê-lo. Sou natural de Belém-Pará, advogada e de família lutadora. Não faço, e jamais fiz, parte de elite alguma (a não ser que o senhor considere elite quem, com esforço, faz curso superior). Logo, as imputações às pessoas que não gostam de Lula e nele não acreditam, de fazerem parte de 'elites' e/ou 'forças obscuras', são pueris. Veja o senhor: na minha terra aprendi, desde cedo, a tomar a bênção e beijar a mão de meus avós e pessoas mais velhas. Sinal de respeito. Aprendi também a não ter qualquer leniência com o roubo e a trapaça, sobretudo quando clara e comprovadamente ligados ao governo (como se dá, particularmente, na era Lula); bem como a jamais fugir das interpelações, alegando desconhecer qualquer fato que tivesse ocorrido na 'minha cara'. Logo, o senhor deve imaginar, como ficamos nós, paraenses que têm vergonha na cara, ao ver o sr. presidente, beijar a mão de Jader Barbalho. Mas, para não cansá-lo com essas histórias de honra e dignidade, advindas de alguém que, na sua concepção, vem da 'elite', termino dizendo-lhe que a minha parte, na tentativa de melhorar a vida de quem está a meu lado em condições menos favorecidas, é uma batalha constante em minha vida. Não preciso de presidente algum, qualquer que seja sua origem, que venha me dizer o que é diferença de classes. Meus pais já haviam me mostrado isso, com atitudes, muito antes de Lula 'descer à terra'. Como também não acredito que esse presidente, vindo da classe dita 'operária', venha mudar alguma coisa nesse sentido, haja vista sua concepção de 'minimizar as diferenças': bolsas de toda espécie. Sistema esse que, longe de resolver, só faz anestesiar o problema. Aliás, a situação atual de S. Exa. está muito longe do operariado. Mas, não vamos perder mais tempo, não é mesmo. Mais uma coisa: meu avô materno morreu em um acidente de avião. E o governo da época (nem lembro mais qual, já faz muito tempo) não teve qualquer culpa. Foi culpa deles mesmos, pilotos que testavam o avião. Enfim... Para resumir essa enorme, e com certeza, inútil, manifestação em resposta à sua, afirmo que vivo com a convicção de que a ideologia jamais deve se sobrepôr à ética, sob pena de nos tornarmos avalistas." Envie sua Migalha