Acidente da TAM

24/7/2007
Pedro John Meinrath – Engenheiro Aeronáutico do ITA

"As declarações do Presidente da TAM e da Infraero foram ofensivas a dezenas de milhões de motoristas brasileiros. Qualquer um sabe que com o carro carregado ao máximo ou com a pista de rolamento molhada, a distância necessária para frear um veículo de quatro rodas aumenta, e muito, de 50 a 100% com os dois fatores em conjunto. O freio que uma aeronave dispõe com carga máxima e pista molhada são os aerodinâmicos: spoilers, flaps e motor operando em reverso, sempre o freio mais eficaz pois opera como se pára-quedas na cauda fosse. Basta ter feito um pouso que qualquer passageiro concorda: ligado o reverso a desaceleração nos joga para a frente. As rodas pouco funcionam: inicialmente por não haver pressão sobre o solo, o avião está leve com a sustentação da asa, e depois, em dia de chuva em Congonhas, por não haver atrito da roda com o piso, que age como se ensaboado estivesse. Então que papo é esse de declarar que o Airbus A-320 pode operar com o reverso do motor pinado ou travado?  Dizem os declarantes que isto está no manual da aeronave, mas a pista de Congonhas, que não chega a 2 mil metros, em dia de chuva, também está no Manual?  Òbvio que não. Solução para atender a necessidade de faturamento imediato das empresas aéreas e da Infraero: Instale-se a 500 m das cabeceiras um dispositivo de cabos com amortecedores e no ventre das aeronaves uma haste com gancho para segurar a aeronave que não conseguiu frear no espaço dos 1500 metros antecedentes.  O mesmo sistema que tem nos porta-aviões e que salva a maioria, mas não a totalidade, dos aviões de guerra que lá pousam. Assim a aviação comercial brasileira passa a ter um "risco de guerra" nas operações em Congonhas. Coisas da vida no Brasil. Ou então se retire a permissão de pouso dos aviões com mais de 100 passageiros de pousar em Congonhas.  Que os Boeings e Airbus usem os aeroportos dimensionados para recebê-los e se limite os pousos a aeronaves menores, turbo-hélices, executivos e os da Embraer. A proposta de limitar Congonhas aos vôos de ponte-aérea não resolve a questão da segurança do pouso: só facilita a gestão do trafego aéreo que é outro problema.  Algumas pessoas bem intencionadas, mas mal informadas sugeriram esta opção. Não é por aí o caminho da segurança dos pousos e decolagens de Congonhas."

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