Acidente da TAM

25/7/2007
Fábio Alexandre Neitzke

"O aeroporto Bartolomeu de Gusmão sob clima de comoção nacional, após o (novo) acidente com o avião da TAM, o Conac, reunido pela primeira vez desde 2003, convenceu-se da necessidade da construção de mais um aeroporto em São Paulo, visando desafogar o tráfego aéreo de Congonhas e complementar às atividades de Cumbica e Viracopos, uma vez que a demanda de passageiros cresce há largos 12% ao ano, e isso já acontece há 6 anos. Ao mesmo tempo diversas cidades e prefeituras (inclusive Jundiaí, Sorocaba, onde já existem aeroportos de médio porte) já se articulam politicamente para receber o novo equipamento, criando especulações de ordem imobiliária. Particularmente, entendo que o novo aeroporto de São Paulo deva ser construído em Praia Grande/SP, na Baixada Santista, opção natural não apenas pela proximidade com o Porto de Santos, com a possibilidade de uso do modal aéreo para o transporte de cargas, além de facilitar a exploração de gás e petróleo a partir da Bacia de Santos, mas, também, por todo um conjunto de atrativos que nenhuma outra região possui. Entretanto, antes disso, quero abordar a falta de um plano aeroportuário nacional e a desarticulação e desentrosamento de nossas autoridades aeronáuticas. Enquanto Brasília investe num rumo (quando investe), os governos estaduais investem noutro. Prova disso é o Aeroporto de Itanhaém, construído pelo Governo de São Paulo num local distante de tudo e de todos, dotado de uma pista de pouso apta a receber Boeings e Airbus, mas que, há anos vive às moscas, e de onde decolam apenas helicópteros e teco-tecos com faixas de propaganda para desfilar sobre as praias. Dentre as principais vantagens da construção do novo aeroporto em Praia Grande, destaco o acesso rápido pela Rodovia dos Imigrantes (o Rodoanel, trecho Sul já está em obras; a Ecovias acaba de anunciar que estuda a construção da 3ª pista da Rodovia e a ampliação da Rodovia Pedro Taques. Existe ainda a promessa de construção de uma nova rodovia entre Parelheiros e Itanhaém). Estas facilidades possibilitariam que o novo aeroporto estivesse localizado acerca de 45 minutos do Jabaquara (São Paulo/SP) e 30 minutos da Região do ABC e Diadema. Não bastassem os fatos já destacados, tem-se o enorme potencial turístico da Baixada Santista, que vem a ser a região do Estado de São Paulo que mais recebe turistas (mais de 5 milhões de turistas por ano), havendo uma expansão que se nota com os navios de cruzeiro (este ano serão 12 navios e mais de 400 mil passageiros), além de novos resorts e até o parque temático da Turma da Mônica. Reservada para o aeroporto, está uma grande área plana na região da curva do 'S', paralela à Rodovia Pedro Taques, numa ainda região pouco habitada. Em contrapartida, analisando-se as demais cidades candidatas, nota-se a ausência absoluta de áreas com características aeroportuárias num raio de até 60 km da Capital. A idéia do novo aeroporto em Praia Grande é antiga. Na década de 30, a AirFrance usava o desativado aeroclube de Praia Grande para escalas em seus vôos (há, até mesmo o registro de pouso de um tal Antoine de Saint-Exupéry, autor da obra 'O Pequeno Príncipe'); já há estudos avançados nesse sentido, inclusive com a idéia de que o aeroporto seja privatizado; sendo que sua viabilização conta com o apoio de prefeitos e deputados (inclusive membros da CPI do Apagão Aéreo); o aeroporto contemplaria, fora o fluxo turístico, num raio de até 50 km, cerca de 3 milhões de habitantes, expandindo-se cerca de 7 milhões de habitantes, num raio de 60 km. Instalado na Baixada Santista, o aeroporto disporia da facilidade técnica proporcionada pelos pousos e decolagens ao nível do mar, além da própria diferença de clima, afinal, quando há neblina em Cumbica, normalmente todo o planalto paulista (leia-se Congonhas, Viracopos, Sorocaba e Jundiaí) submerge sob as nuvens, enquanto que o litoral de São Paulo não costuma sofrer com esse problema (ao menos não simultaneamente com o planalto). Faço coro à corrente que entende que, uma vez definida sua construção, a denominação do novo aeroporto deveria homenagear o Padre Bartolomeu de Gusmão (jesuíta santista, que em 1709, a bordo de seu invento, o balão Passarola, elevou-se do solo, sendo considerado o primeiro homem do mundo a voar num aparelho 'mais leve que o ar'). A discussão está aberta."

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