Prisão preventiva do empresário Oscar Maroni

16/8/2007
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Prisão preventiva do empresário Oscar Maroni. O mais interessante no caso da prisão preventiva do Oscar Maroni, é ela ter sido preventiva. Preventivo é o que previne, o que vem antes, o que evita, o que é antecipado. Há muitos anos o Sr. Oscar Maroni, empresário, atua no mesmo ramo. Há muitos anos funciona o Bahamas. Oscar Maroni é mencionado até na enciclopédia livre eletrônica wikipédia, em verbete próprio, que esclarece ser Oscar Maroni Filho nascido em Jundiaí em 1949, psicólogo e empresário brasileiro que atua na indústria do sexo no Brasil. Além de possuir casas de prostituição de luxo e hotéis na cidade de São Paulo, é detentor dos direitos de distribuição das versões brasileiras de revistas eróticas, entre elas a Penthouse e a polêmica Hustler. Sua casa, Bahamas, funciona há anos, assim como muitas outras em São Paulo, que são notoriamente conhecidas e constam de todos os guias turísticos da cidade, explicitando exatamente os serviços oferecidos. De modo que preventivo é o quê? No dicionário Aurélio, o verbete anterior a prevenção é prevaricar, que talvez se aplique melhor ao caso. De uma coisa certamente tem razão o Sr. Maroni: sua prisão é hipócrita, ou seja, demonstra apenas um sentimento louvável que, na verdade, não se tem. Não que eu esteja aqui para defender o Sr. Maroni. Não é meu cliente, e nem sou de suas casas. Mas é que me veio à lembrança aquele velho quadro do Jô Soares, quando seu personagem é preso por crimes contra a Receita e, conformado, entra na cela vazia e pergunta: Ué, onde estão os outros? Onde é que está todo mundo? Uma pergunta que talvez possa ser levada ao promotor José Carlos Blat. Em Casablanca, o chefe de Polícia, interpretado por Claude Rains, tinha a fórmula para distrair a atenção de todos para um problema maior: 'prendam os suspeitos de sempre'. E fica tudo resolvido, a cratera do metrô, as indenizações das vítimas dos acidentes aéreos, os acidentes aéreos em si mesmos, o caso Renan, o Mensalão, etc., etc., etc."

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