Cubanos

17/9/2007
Marco Aurélio Piacentini

"Deportado ou crucificado? Como cidadão brasileiro e muito mais como advogado (ou seria o contrário?), estou remoendo a história recente desde a ocorrência de um fato sinistro, que de tão sinistro foi pouquíssimo comentado pela imprensa, mas que merecia um maior debate, pois é um caso emblemático e ressuscita questões atinentes ao Estado arbitrário. A história de Olga Benário é de domínio público. Virou até filme o drama da militante comunista que foi deportada por Getúlio Vargas ao seu país natal... diretamente às mãos de um ditador sanguinário. A nação e a grande imprensa se revoltam até os dias atuais com esse 'crime'. Mas, lembrando dessa história, vejo que um fato recente não teve tanta atenção: Há menos de dois meses, dois boxeadores cubanos, nobres atletas que pretendiam não mais que a própria liberdade (assegurada, convenhamos, pela Declaração dos Direitos do Homem), atletas que não eram militantes políticos e que nem tinham a intenção de dar um golpe de Estado, atletas que buscavam refúgio da ditadura e liberdade, foram presos e deportados do nosso livre (?) País e entregues às mãos do ditador que rege Cuba (qual dos Castro eu não sei mais, pois parece que a ditadura virou uma dinastia) (Migalhas 1.712  - 7/8/07 – "Pan...Pan...Pan..."). Posto isso, pergunto-me: o que aconteceu com nosso País? Acaso perdemos a capacidade de nos sensibilizar com tamanha crueldade? O que aconteceu com estes rapazes? Estão livres ou estão nos ‘porões da ditadura’? Porque não se comenta essa história? Acaso existe medo em se comparar governo atual com a ditadura getulista? Senhores, esta nação necessita aprender a lidar com seus fantasmas a fim de conquistar a autêntica democracia. O fato necessita melhores explicações, pois nunca se viu deportação tão célere como a ora em questão. O que foi feito dos boxeadores? Alguém se habilita a responde?"

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