Thales Ferri Schoedl

18/9/2007
Alexandre de Macedo Marques

"Cumprimentos, caro migalheiro Conrado de Paulo, pela coragem de abordar o caso pelo ângulo realista, sem nuances de sentimentalismo barato ou hipocrisias politicamente corretas que, parece, são hoje as marcas nefandas 'como nunca neste país'. Ninguém, em sã consciência, deixará de lamentar o desenlace do evento, o destino da vítima, nem deixará de ser solidário com a dor de seus pais e relativos. Mas esses sentimentos não deverão servir para tentar-se encobrir a conduta da vítima e de seu bando, justificar o injustificável: um bando de irresponsáveis, com louco atrevimento por que em grupo, nada respeitando, a todos e a tudo afrontando. Quem freqüenta o Guarujá e o litoral norte paulista conhece a conduta abusiva à estupidez, destemperada à insanidade, valentona à marginalidade, de grupos de 'filhinhos' da classe média interiorana endinheirada. Para a família rapazes maravilhosos, anjos imaculados. Para quem tem que sofrer os seus 'sem limites' uma experiência traumatizante não só do ponto de vista emocional e moral por se sentir impotente e covarde em enfrentá-los. Mas muitas vezes física no sofrimento de agressões selvagens, por que estão em grupo, por que são maioria, por que malhados em academias e artes marciais, por que sempre são impunes por obra e arte da influência e recursos da família. Fora de seus pagos e de possíveis controles sociais ainda vigentes em suas comunidades, deles se apossam os instintos de 'pitboys'. Muitas vezes excitados pela bebida irresponsável. Pergunto, se diante da conduta do grupo, quem, desrespeitado e humilhado diante de sua esposa, ou filha, ou namorada, não reagiria como reagiu o jovem promotor? Lamente-se o ocorrido, o jovem que morreu, o jovem promotor que vê ameaçada uma carreira. Mas, por favor, reconheçamos o direito que este tinha a dizer, pelo meio eficiente de que dispunha, 'Parem!!!'. Tiros de advertência não foram suficientes para que o grupo tivesse consciência da estupidez e covardia que estava praticando contra um jovem homem e sua namorada. Um tiro em direção ao grupo parou os valentões. Ao preço de uma vida."

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