Educação

18/9/2007
Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP

"Sr. Diretor de Migalhas. Leio na Folha: '"Ensino médio vive crise aguda", diz ministro da Educação'. Bem, eu posso falar de camarote porque sou Professor (ou era ou fui) do antigo ensino médio. Primeiramente, deve-se atualizar os salários dos professores, pois muitos estão abandonando as carreiras, haja vista os absurdos dos salários, incompatíveis com aquilo que devem  estudar, e os cursos que são obrigados a fazer, além da faculdade que são obrigados a freqüentar. Onde se viu um professor do ensino médio começar a carreira com R$ 800,00 mensais, a não ser que pretenda morar em favela ou debaixo da ponte. Depois de 35 anos de trabalho aposenta-se com pouco mais de R$ 2.000,00, às vezes, pois minha mulher e eu aposentamo-nos com menos, eu, porque dei aulas para escolas particulares e não pude acrescer os 5 anos que me dediquei a elas, e nem acrescentar os anos que me dediquei a outros afazeres. Como me aposentei pela recíproca, e hoje sou advogado, pretendo promover uma ação junto ao INSS para garantir o mais a que tenho direito, já que o Estado nega-me aumentos, principalmente após o ex-governador Geraldo Alckmin ter desrespeitado a Constituição (diga-se de passagem), sem nenhuma punição pelo Judiciário, quando deveria ser cassado politicamente, pelo desrespeito, e diz que pretende voltar. Piormente, nem sequer o Judiciário respeita a Constituição paulista e Leis promulgadas pelo Governo de São Paulo, tal como a que negou-me absurdamente os acréscimos ao que eu tinha direito a 2/10, como assessor-Procurador da Assembléia Legislativa de São Paulo; mas verifiquem que, quando se trata de beneficiá-los in causa propria: causa principalis semper attendi debet (Causa principal sempre deve ser atendida) o  Judiciário extrapola e nem liga para a Constituição, pois a  maioria já ganha mais que o Governador de São Paulo, cujos salários, constitucionalmente, não poderiam ultrapassar; ou sejam R$ 14.800,00. Vi na Assembléia, recentemente, que o Judiciário mandou projeto para juízes iniciantes, no Judiciário, vejam bem, iniciantes, ganharem R$ 20.000,00, iniciais. Quanto pretendem ganhar os Desembargadores, então? Ingressei com ação popular, pessoalmente, visando corrigir isso tudo; contudo o Ministro Eros Grau repeliu, dizendo que quem deve julgar é o Tribunal de São Paulo. Data venia não entendi. Hoje vi em Migalhas um poema elogiando o STF (1.741 – 18/9/07). Data venia, o que exponho desmente-o. Se é  inconstitucional o que ganham, por que o Tribunal de São Paulo julgar? Recentemente, o mesmo Tribunal foi contrariado pela Ministra Ellen Gracie, pois  havia concordado com aumentos para procuradores, acima do teto, tanto que o Governador José Serra ingressou com ação de inconstitucionalidade, deferido pela Ministra, como Relatora. ‘Muito se há de fazer para corrigir isso tudo; e voltando ao curriculum do Ensino Médio, por sua vez, dificilmente ele leva a algo prático, concreto. Impunha, já no meu tempo, línguas estrangeiras, Francês, Inglês, mais Física, Química, Matemática e daquilo tudo realmente, só aproveitei Inglês. Ademais, aproveitei latim (que estudei no 1º grau) também, porque me formei posteriormente nele na PUC, mas inglês porque estudei também com professor particular, porque no Científico pouco se aprende data venia. As reformas, então,  só vieram piorá-lo, percebe-se que elas foram introduzidas mais por política que para aprendizagem. A extinção do latim e filosofia diziam (à boca pequena) que os militares extinguiram para o povo pensar, raciocinar menos. Atenciosamente"

Envie sua Migalha