Caso PC Farias

18/9/2007
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Quem matou Odete Roitman? Essa pergunta ficou no ar quase um ano, entre 1988 e 1989, nos 204 capítulos da novela de Gilberto Braga e Agnaldo Silva, que deixou em suspense todos os telespectadores brasileiros. Nem o elenco da novela sabia quem havia matado Odete Roitman, protagonizada por Beatriz Segall, mistério só revelado no último capítulo, com 86% dos televisores do país ligados naquela telenovela. Ao menos aquele mistério foi, afinal, desvendado. A mesma coisa, infelizmente, não aconteceu com o assassinato de PC Farias, o tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, morto com um tiro no peito, na madrugada de 23 de junho de 1996, no quarto de sua casa de praia, em Guaxuma, nos arredores de Maceió, ao lado de sua namorada, Suzana Marcolino, também morta da mesma forma. O caso foi ao ar e teve, como na novela, todos os lances que prenderam a atenção dos telespectadores por dias, semanas e meses, com reportagens, opiniões, entrevistas com as famílias, acusações, perícias, prisões, fotografias, animações mostrando posições e direções dos tiros, peritos se degladiando, tudo como em um filme, com todos os ingredientes de uma novela. Até mesmo a mulher de PC Farias morreu em condições misteriosas, suspeitas diriam alguns. Dois peritos brigavam abertamente. Enquanto um defendia a tese de homicídio seguido de suicídio, o outro afirmava ter ocorrido duplo homicídio. Chamava a atenção a presença de um certo número de seguranças, postados ao redor da casa, que nada ouviram e nada viram. Não sabiam de nada. Um dos peritos, convocado pela polícia alagoana, Fortunato Badan Palhares, produziu a tese do homicídio seguido de suicídio. O outro, George Sanguinetti, foi autorizado pelo Ministério Público e pela justiça a produzir, também, um parecer, e o fez, concluindo pelo duplo homicídio. E, ao que consta, teria afirmado que o primeiro laudo seria uma fraude, tecnicamente errado e falho na sua conclusão, um crime de falsa perícia. Isso lhe rendeu uma ação judicial, através da qual o primeiro perito pretendia indenização por danos morais. Após 9 anos, terminou o processo 1.472, a polêmica batalha judicial entre os dois experientes médicos legistas, com a vitória do segundo contra o primeiro, por decisão do Tribunal de Justiça. Quanto ao caso do duplo assassinato, o do PC Farias e de Suzana Marcolino, nada, ainda. Continua, após uma série de recursos, no Superior Tribunal de Justiça. Mortos em 1996, o caso em 2007, ainda está sem solução, e a pergunta está no ar: quem matou PC Farias e Suzana Marcolino? Odete Roitman já sabemos. Foi morta por engano, por Leila (Cássia Kiss), que pensou estar atirando em Maria de Fátima (Glória Pires), que havia se tornado amante de seu marido Marco Aurélio (Reginaldo Faria), ex-genro de Odete (Beatriz Segall). Ao menos nas novelas os assassinatos são resolvidos."

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