Palavras 21/9/2007 Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP "Sr. Diretor de Migalhas. Há palavras que, embora se disponham como corretas, na sua concepção estão erradas. Refiro-me à penalizado. Ontem, ouvindo o Jornal da TV Justiça deparei-me com uma das 'noticiantes' dizer aquela palavra em lugar de apenado, que por sinal não advém integralmente do latim, mas é uma adição da preposição 'a' com o verbo apenar. Lembrei-me que, há quase três décadas, ouvindo como costumava ouvir em exames de ingresso na OAB, as perguntas e respostas de candidatos, deparei-me com uma observação do saudoso Dr. Cláudio de Luna, que fora repórter e que posteriormente dedicou-se somente à advocacia; e que fazia parte de Comissão de Exames da OAB, corrigindo um candidato, dizendo-lhe: que o termo era apenado, não penalizado. Como professor de língua portuguesa, que já era, fui estudar a palavra, que continua sendo repetida, como vi, ontem, na TV Justiça. Comentando com um meu filho, ele lembrou-me do jargão. O que é jargão? Linguagem corrompida, logo não deveria ser usada num órgão que representa a Justiça brasileira. Penalizado, se formos ao Dicionário, encontraremos que quer dizer quem foi pungido, sofreu desgosto, na sua origem. Ora! Bem que quem foi apenado sofreu pena ou desgosto; mas há um vocábulo certo para ser usado na Justiça, que deve ser apenado (sofreu pena, castigo), não penalizado. Bem, a evolução das línguas deve-se a jargões, senão falaríamos provavelmente como os árias, ainda; ou o latim, o grego, o aramaico etc. etc. Atenciosamente" Envie sua Migalha