Violência 15/10/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro - advogado "O grande problema da elite brasileira é o abismo que existe entre seus privilégios e a percepção que ela tem de si mesma (Migalhas dos Leitores - "Violência" - clique aqui). Até a data de hoje, não tinha lido o texto do Huck. Na verdade nem sei quem é o tal. Disseram-me que ele é apresentador de TV. Acreditei na minha fonte, pois uso meu tempo vago de maneira mais produtiva. Também não havia lido o texto do seu oponente. Não sei o que o tal faz da vida. Os negócios dele não me interessam quer porque não é meu cliente, quer porque não fui contratado para processá-lo. De qualquer maneira, não posso deixar de meter a mão nesta cumbuca. O Huck se coloca na posição de vítima. O outro também. Nem um nem outro tem razão. Luciano Huck faz parte de uma elite que ganha por mês o que dezenas de pessoas ganham num ano. Sua condição socioeconômica privilegiada não é compartilhada pela maioria da população brasileira. Certamente ele pode comprar centenas de relógios como o que lhe foi subtraído. O que o Huck tem feito para acabar com o abismo entre ricos e pobres no Brasil ? O que ele poderia estar fazendo ? Antes de se dizer vítima ou defender a brutalidade policial ele poderia se lembrar que desfruta de uma situação privilegiada e que a criminalidade viceja onde a maioria não tem oportunidades e esperança no futuro. O cara que tentou justificar a subtração do relógio também não tem razão. Furto é crime, o roubo também. O crime não é a solução para os problemas de ninguém, nem vai forçar a elite a prestar atenção na classe pobre. O máximo que a criminalidade acarreta é um aumento dos gastos em segurança (com redução nos de educação e saúde) e uma desculpa para a extrema-direita difundir suas idéias fascistas a uma população amedrontada. A política é a arte de administrar os conflitos. Mas também pode se tornar o veículo para a destruição de toda sociabilidade. Não precisamos de uma guerra, mas de um compromisso com a supressão do abismo econômico e social que separa ricos de pobres. O problema é que os partidos políticos que existem têm cuidado menos do interesse público e mais dos interesses de seus caciques e das pessoas que lhes proporcionam fundos para disputar eleições. É nesse contexto que o 'voto nulo' pode ser uma saída pacífica para a crise de violência brasileira. Se a população se recusar a legitimar os partidos que existem, um impasse será criado abrindo espaço para o surgimento de novas lideranças e soluções." Envie sua Migalha