Paulo Autran 15/10/2007 Maria Luiza Bonini "E lá foi ele, se encontrar com os outros. Os outros talentos que nos deixaram. Mas ele, que desaforo! Não poderia ter nos deixado! Não poderia ter ido! Maldito cigarro! Venceu mais outra batalha! Ele testava os seus limites. Limites de talento, sabedoria, humildade. Jamais deixou se intitular como o melhor ator do país! Mas o cigarro, Autran, com este não se mede forças. Enfim, lá se foi nosso Paulo, fazendo tudo o que queria. Representando, dizendo, fumando. Alegrava a todos que com ele convivia. Em pleno dia da criança. Pensei que fosse mais uma brincadeira sua. Daquelas sutis que costumava fazer. Mas não era. Dolorosamente, era verdade. Para onde levará todo o seu talento ? Deve ter captado em seu nascimento, ano de 1922, quando a semana da arte moderna fervia, e você nascia. Eu aqui imagino como será chegar ao seu misterioso destino. Encontrará seus amigos poetas. E dirá a Vinícius, meio que desajeitado: Não tive filhos, mas tive amigos e como foi bom pra mim, tê-los! Acredito que o trânsito por lá esteja congestionado, com a sua chegada. Ver Autran! Todos devem estar ansiosos! E aqui, a saudade já bate no peito, bem forte. A cortina baixou, o grande espetáculo de sua vida, terminou. Aplausos, sentimento de vazio, de orfandade. Silêncio." Envie sua Migalha