Estagiários de Direito 16/10/2007 Carlos Eduardo Baréa "Prezado Sr. Redator, fiquei profundamente chocado com as palavras do Sr. Relator do processo E-3.517/2007 (Migalhas 1.759 - 15/10/2007 - "Estagiários de Direito" - clique aqui), no qual o consulente Alfredo Gioelli indaga sobre a possibilidade de um estagiário acompanhar alguém em audiência de tentativa de conciliação nos Juizados especiais Cíveis. Pareceu-me que o desprezo demonstrado pelo Relator do processo com relação aos estagiários beira mesmo o preconceito. Fui estagiário! Não me considero e jamais me considerei um néscio! Antes mesmo de ser estudante de Direito, eu fora Oficial de Justiça do Foro Regional I - Santana, onde atuei, com muita honra e dignidade, na 7.ª Vara Cível, sempre com o Juiz Dr. João Alberto Tedesco, extremamente profissional e justo. Já mais recentemente, durante o curso de Direito, prestei prova de admissão e prestei serviços voluntários como Conciliador no Juizado Especial Cível Central, na Rua Vergueiro, por aproximadamente um ano. Cheguei a ser tido por vários advogados como um Juiz, entretanto, sempre lembrava da minha condição de estudante ainda. Durante as tentativas de conciliação eu sempre buscava argumentos jurídicos para o convencimento das partes e, em muitas destas vezes, alcançava êxito, colaborando com elas e aliviando o Judiciário. Particularmente, não posso deixar de repudiar veementemente a afirmação de que um estagiário é um néscio, ou seja, um idiota, um estúpido que necessita ser amparado por quem quer que seja. Jamais, nunca em minha vida, fui um néscio, mesmo quando ainda era estagiário de direito. Eu me senti insultado. Milhares de estagiários de direito merecem um pedido de desculpas." Envie sua Migalha