Violência 16/10/2007 Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL "O migalheiro Olavo Príncipe Credidio lembrou, em seu comentário sobre a violência, o rapaz que vendia pizza em um terminal de ônibus, morto estupidamente, a facadas, há alguns dias. O migalheiro Fábio de Oliveira Ribeiro relembrou o caso do relógio roubado de Luciano Huck e da percepção que a elite brasileira tem de si mesma. Nos últimos tempos, o que tem me impressionado é que nos programas de televisão, que mostram esses diários assassinatos, que ocorrem entre os das classes menos favorecidas, é que não mais se reclama que rico não vai para a cadeia. Agora a reclamação é que ninguém vai ou fica na cadeia. A mãe do rapaz que vendia pizza, por exemplo, aliás bem articulada, apesar de pessoa bastante humilde, sequer fez aquele apelo de sempre, por justiça, que todos sabem inútil, mas reclamou da certeza que tem que os assassinos, gente de baixíssimo nível social, sequer cumprirá pena. É uma certeza que ela tem, como todos, aliás. Esse surrado discurso acerca das culpas das elites precisa passar por uma revisão que, talvez deva vir da situação política pela qual passa o país. Não creio que caiba a um apresentador de televisão a culpa pelas mazelas do Brasil e nem que deva ser acusado por não fazer nada para acabar com o abismo que separa pobres e ricos no Brasil. Não sou advogado de Luciano Huck. Mas leio que ele promove alguma coisa através de uma ONG que é bastante reconhecida. Quanto a mim, advogo e mantenho meu trabalho, meus funcionários, minha família. Não sei se os migalheiros que aqui comentam sobre a violência tem feito mais do que eu para acabar com esse abismo. Porém, tenho a certeza que tanto eu como eles vivemos mais confortavelmente que as camadas mais pobres da população. O que reclamamos, creio, é dos que, em cargos de direção do país, para os quais foram eleitos, eleitos por nós, que disputaram tais cargos, não fazem aquilo para o que foram eleitos. Eles sim, são as elites. Se é disso que falam os migalheiros, então estamos todos de acordo. E, nesse contexto, como diz o migalheiro Fábio de Oliveira Ribeiro, o voto nulo pode ser uma saída. Porque não há motivo para ficarmos a legitimar os partidos e os políticos que temos, cuja obrigação é trabalhar para resolver os problemas que existem e para os quais não encontram soluções. Aliás, sequer trabalham nesse sentido, mas apenas nos interesses próprios e nos das pessoas que lhes fornecem fundos para disputar novas eleições que lhes permitam a perpetuação nos cargos que lhes são tão caros. E, perdoem-me os colegas, não acredito que nesse caso, a coisa que se discuta esteja em torno de ideologias, de esquerdas e direitas, até porque a alternância desse tipo de raciocínio político vem acontecendo e o resultado político vem sendo sempre o mesmo, fisiologicamente o mesmo." Envie sua Migalha