Senado

17/10/2007
Conrado de Paulo

"Com a lucidez que lhe é peculiar, Arnaldo Jabor sintetiza o ideário político nordestino, ao abordar o 'affair Renan'. (...) Mas Renan errou ao querer nos fazer engolir tudo como sendo o exercício de legítimos direitos tradicionais, por ter acreditado numa jurisprudência nordestina de que fazem parte até em grau mais grave alguns acusadores de Alagoas e outros Estados próximos. Renan lutou como um herói ideológico para si mesmo e para homens como Almeida Lima, o Jucá, até o próprio João Lira. Os pelotões patrimonialistas, os exércitos oligárquicos encaram o atraso como um desejo, um projeto, uma bandeira. Se a democracia se impuser, se a transparência prevalecer, que será das famílias oligárquicas ? Como vão vicejar as fazendas imaginárias, as certidões falsificadas, os rituais das defraudações, as escrituras e contratos superfaturados ? Que será da indústria da seca, não só da seca do solo, mas a seca mental, onde a estupidez e a miséria são cultivadas para o serviço da burguesia política ?"

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