Migalheiros

17/10/2007
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"É, minha gente, como na canção 'Meu caro amigo', de Chico Buarque, 'o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta, muita mutreta para levar a situação. É pirueta para ganhar o ganha pão'. A essa conclusão chegou, também, o jovem Fabrício Crescêncio Marques, de 21 anos, que assaltou uma mercearia, foi preso, cumpriu pena e, após ter recebido o alvará de soltura, escreveu uma carta ao Juiz Sérgio Maia, de Perdões/MG pedindo para permanecer na prisão. Ele explica: não tem documentos, não tem família, trabalho e nem moradia. Além do mais, acha que se voltar às ruas poderá cometer outros crimes, já que não vê nenhuma chance de se reintegrar na sociedade. Depois de quatro meses no sistema prisional convencional, foi transferido para uma associação de proteção e assistência ao condenado, cujo método de recuperação é o trabalho. Durante o dia, os detentos fazem artesanato e marcenaria e voltam às celas para dormir. Fabrício não vê motivos para sair, para ficar batendo de porta em porta pedindo comida, até voltar a praticar outros crimes. Acontece que o Código Penal não permite que presos com alvará de soltura permaneçam na cadeia. E o jovem Fabrício, que não gostou da notícia de sua soltura, vai ter que sair, por causa de seu bom comportamento. E enfrentar esse mundão aqui fora. E se reintegrar à sociedade. É, a coisa pode ficar feia para Fabrício."

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