Migalheiros

23/10/2007
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Conta-se uma piada acerca de uma determinada igreja evangélica nos Estados Unidos que se viu diante de um dilema: decidir se aceitava ou não uma doação de US$ 100 mil para a igreja. Acontece que a doação viria de uma indústria de bebidas e a igreja pregava contra a fabricação e venda de bebidas, 'coisa de satanás', em prejuízo do 'povo de Deus'. O que fazer ? Fossem US$ 100 ou US$ 200, ou até US$ 1.000, seria fácil recusar. Mas US$ 100 mil. E a igreja precisando tanto daquele dinheiro para as obras do senhor. Depois de muitas reuniões, o Pastor Líder da Igreja decidiu aceitar e calou os protestos dos demais fiéis com a explicação: 'Imaginem como vai se sentir o Diabo quando perceber que usaremos esse dinheiro, vindo do pecado para, exatamente, as obras do Senhor, ou seja, para combatê-lo.' Lembrei-me dessa piada ao ler a notícia de que Ministros e pastores dos Estados Unidos têm utilizado, como ferramenta de recrutamento de jovens, em várias congregações protestantes, o realista e violento videogame Halo, da Microsoft. Em outras palavras, os líderes de várias congregações protestantes, que incluem as igrejas evangélicas que criticam o entretenimento violento, vem promovendo noitadas de Halo e instalando consoles em suas sedes para que os adolescentes possam se reunir em torno de grandes televisores, para abrir fogo à vontade, em violentos combates virtuais, matando opositores através de disparos letais. Apesar de esse videogame ter sido classificado como 'M', indicativo americano para 'público maduro', essas igrejas disponibilizam-nos para jovens de 12, 13 e 14 anos, que não poderiam adquiri-lo por conta própria, em razão da idade. Após as chacinas virtuais, os jovens ficam para ouvir o Evangelho que, ao contrário do Halo, prega 'não matarás'. Os líderes religiosos norte-americanos não têm opinião unânime sobre o assunto. Os mais conservadores são contra o uso do Halo para atrair os jovens, dizendo que o mesmo efeito seria obtido, por exemplo, pelo oferecimento de bebidas alcoólicas e filmes pornográficos. Outros, mais progressistas, dizem que é possível aproveitar os temas dos jogos como base para uma discussão sobre o bem e o mal e estão até enviando mensagens por e-mail aos jovens com conselhos sobre como compartilhar a fé usando o Halo. O que parece, como na piada do início, é que é difícil, muito difícil, escapar da influência corruptora do ambiente atual. Mesmo para as igrejas."

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