Artigo - Indústria das Revisionais 26/10/2007 Viriato Santos Gaspar "O que o magistrado ponderou é procedente e atual, há uma crise moral gravíssima no País, um vale-tudo moral que a tudo emporcalha e enlameia (Migalhas 1.767 – 25/10/07 – "Revisional de Contratos", Johan Albino Ribeiro – clique aqui). Certíssimo. Mas, por outro lado, só uma absoluta tilose não enxerga a indecência amoral e despudorada dessas ditas 'instituições financeiras' e suas taxas de juros estratosféricas, 'comissões de permanências' absolutamente indecorosas, e outros mis penduricalhos legais que os repetidos seminários jurídicos realizados em hotéis seis estrelas com tudo pago arrancam de um Judiciário afeito a mordomias e sinecuras. Tudo bem que há uma verdadeira indústria das revisionais, como também das liminares, das cautelares, das suspensões de seguranças, mas também é cristalino que os cevados senhores donos do dinheiro são uma verdadeira praga neste País sem lei nem rei, onde quem pode mais chora menos. Como nós, os pobres consumidores, infelizmente não dispomos de recursos para bancar seminários jurídicos em Comandatuba ou na Costa do Sauípe, temos que nos resignar a pagar ad aeternum taxas de abertura de conta corrente ? Taxas de administração da conta corrente ? Taxas de cobrança de extrato bancário ? Taxas de expedição de talão de cheques ? Como se a bendita e sacrossanta 'instituição bancária' estivesse a fazer-nos uma caridade ao administrar nosso dinheiro e não explorando, com ele, o sangue, o suor e as lágrimas de outros pobres trabalhadores, cujos salários não botam nem no fim do mês. Mas pense bem: para cada causídico satisfeito, há gente passando fome e padecendo necessidades para arcar com os 'custos financeiros' pantagruélicos e brutais, desumanos e exorbitantes, que fazem girar a máquina e alegrar os bem-postos na vida." Envie sua Migalha