Migalheiros

26/10/2007
Olavo Príncipe Credidio – advogado, OAB 56.299/SP

"Acho que já expus minha opinião sobre políticos profissionais. Eles surgem de todas as camadas sociais, principalmente oriundos de profissões de elite, tais, como engenheiros, médicos, advogados etc. Pois acho, depois de ler a opinião do Sr. José Serra, sobre a oitiva de réus, que eles deveriam ser obrigados a fazer Direito, depois de formados em quaisquer coisas, para serem políticos. A intervenção (manifestação) dele, demonstra profundo desconhecimento de direitos humanos dos réus, ao cumprimentar o Congresso, por poderem ser interrogados os réus, à distância, via eletrônica, pensando e tão somente em economia. A presença do réu em frente de um juiz é imprescindível, isso afirmam quem entende, os criminalistas, os criminólogos, mas colocam um engenheiro no governo, que substituiu um outro engenheiro, que por sua vez adveio de mais um engenheiro. Por quê ? A grande verdade é que o Congresso, mais uma vez, submeteu-se à opinião do Judiciário, como sói acontecer, e que se danem os réus, seus pouquíssimos direitos constitucionais. Já não bastam os recursos esmorecerem em 2ª Instância, após anos, porque dificilmente chegam à 3ª e 4ª Instância. Esqueci-me, porém: há as leis, mas as leis já diziam Anacarsis e Sócrates: 558 Antes de Cristo - Lex est araneae tela, quia si in eam inciderit quid debile, retinetur, grave, pertransit tela rescissa et fugit. (A lei é teia de aranha, se nela incide algo débil, retém, grave, atravessa a teia rompida e foge.) Que também me faz lembrar a frase: sumuum ius summa injuria (Perfeita justiça perfeita injustiça) que vejo no nº. 1094 do Dicionário de Sentenças Gregas e Latinas de Renzo Tosi, inserida por Cícero (De finibis ,1.10 .33), que adverte que aplicar rigidamente a lei, sem a necessária flexibilidade leva a graves injustiças."

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