Desigualdade na alimentação 29/10/2007 Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL "Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que 'todo homem, mulher, criança, têm o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição'. E, mais ainda, 'o acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia e ativa'. Quanto a essa última parte, o importante é que o alimento seja suficiente tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo. É óbvio que isso não acontece em todo o mundo, de forma igualitária, e que estamos ainda muito longe dessa segurança alimentar ideal para todos os habitantes do planeta. Isso não ocorre porque o mundo não pode produzir alimentos suficientes, porque a terra tem recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira; nem porque há muitos habitantes no planeta, porque na China, por exemplo, apesar de muito populosa, todos têm alimentos, ainda que seja uma quantidade mínima, enquanto em países como a Bolívia, pouco habitados, os pobres passam fome; nem porque no mundo há poucas terras cultiváveis, porque há terras suficientes que, no entanto, muitas vezes são cultivadas para fornecer alimentos aos países mais ricos. A verdadeira causa dessa desigualdade alimentar reside nas desigualdades sociais. Os que produzem alimentos são os que primeiro consomem menos, os que vivem nas áreas rurais consomem menos do que os que vivem nas áreas urbanas, os que vivem em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento consomem menos quantidade e menos qualidade dos que vivem em países do primeiro mundo. Sei que tudo isso parece lógico. Mas nunca foi tão evidente quando a seqüência de fotos exibidas no livro publicado por Peter Menzel e sua mulher, a escritora Faith D'Aluisio, 'Hungry Planet', que analisou, com detalhes, o que as famílias, ao redor do mundo, consomem ao longo de uma semana. O contraste é mostrado em uma série de fotos (clique aqui), que mostram cada família junto à comida que consumiriam em uma semana, e que expõe as diferenças entre um país e outro. Do exame das fotos, pode-se ter uma idéia do tipo de produtos consumidos e do número de pessoas que compõem cada família. É interessante ver que, quanto mais pobre é o país e a família retratada, maior é o número de seus integrantes e menor o volume de produtos consumidos, assim como menor o gasto com alimentação. A sonhada igualdade na questão de alimentação é, ainda, uma utopia que, como se pode ver, cada vez mais distante de alcançar." Envie sua Migalha