Barbas 3/12/2007 Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL "Barbas de molho. As barbas, que em certos momentos foram símbolos de beleza e, em outros execradas, às vezes causaram problemas aos seus portadores. Por exemplo, aos que viviam no Afeganistão, na época do Taliban, em que vigia a rígida Lei islâmica, pela qual de acordo com o Alcorão, dentre outras coisas, era proibido cortar a barba. Isso causava problemas aos boxeadores profissionais, já que nos torneios internacionais, segundo as regras, exige-se que os atletas apresentem-se completamente barbeados. Já os hippies usavam barbas e cabelos longos e, ao longo da história, os homens com barbas longas têm sido atribuída sabedoria, assim como em algumas religiões, quem tem barba é considerado importante. Há outros, porém, que atribuem à barba falta de higiene e refinamento, coisa de excêntricos. Ninguém é revolucionário de esquerda sem barba. É quase uma obrigação. Talvez por isso, a polícia de Houston, no Texas, proibiu barbas na corporação, o que indignou os policiais que as usavam, que entraram com um processo contra a decisão do departamento de polícia local, alegando ser a medida discriminatória, com fundamento nos direitos civis. O departamento de polícia, que argumentava com o fato de que máscaras de gás contra ataques biológicos não funcionam adequadamente em pessoas com barba, agora será obrigada a oferecer máscaras especiais que funcionem para os barbados. Livres da proibição, os policiais de Houston poderão escolher vários 'looks': ou a barba toda, como na época da monarquia; ou a 'effarouchée', repartida no queixo, esparsa para os dois lados; ou 'suíças', dos dois lados do rosto, raspado o queixo; ou o modelo 'andô', aparada curta nos lados e alongada no queixo; ou o 'cavaignac', com as faces raspadas e crescida ao natural no queixo, às vezes na forma de um leque semi-assírio; ou a 'nazarena', semelhante à barba 'toda', porém aparada dos lados, descendo de modo a encobrir o afinamento do queixo paralelamente e aparada embaixo perpendicularmente; ou a 'pêra', só no centro do queixo, que desce alongada, raspadas as faces e os lados do queixo, como Napoleão III; ou a 'mosca', uma pequena barba abaixo do lábio inferior, aparada, sendo raspados o queixo e as faces. Aberto o precedente, a polícia de Houston vai ter que, para gáudio dos fabricantes de máscaras contra gases, encomendar diversos modelos, adaptáveis a cada tipo de barba. Mas, como dizia o poeta, os policiais feios que perdoem, beleza é fundamental." Envie sua Migalha