Colômbia X Equador

5/3/2008
Rogério Leonardo - escritório Marcelo Leonardo Advogados Associados

"Causou-me espécie no Migalhas 1.850, a nota intitulada "Colômbia X Equador", à qual se seguiu a não menos esdrúxula nota "Diplomacia". Seguindo o obtuso e tendencioso pensamento manifestado pelos grandes órgãos de imprensa do país (Folha, O Globo, Estadão, etc.), este informativo, ao invés de repudiar e condenar veementemente a invasão territorial de um país soberano, preferiu divagar sobre as qualidades de Hugo Chávez como condutor de negociações para libertação de prisioneiros (negociações, aliás, que até agora deram resultados). Pelo que li, fica a clara impressão de que este informativo quis imputar a Chávez algum tipo de responsabilidade pela grave crise proveniente do ataque feito pela Colômbia ao Equador, o que, convenhamos, chega a ser hilário se analisada de forma isenta, por exemplo, a responsabilidade norte-americana para a ocorrência do conflito. Ademais, é necessário apontar que o argumento de que o Equador e a Venezuela são omissos com relação a presença de guerrilheiros das FARC em seus territórios (principal utilizado por Uribe para a desastrada ação), não justifica de forma alguma a ofensa à soberania territorial de um país, um dos fundamentos mais básicos do direito internacional. 'Data venia', é notório que a própria Colômbia, com bilionária ajuda americana (a qual a verdadeira finalidade não sabemos?), não consegue controlar os guerrilheiros, portanto, não pode exigir isso de seus vizinhos. Qualquer cidadão com um pouco de informação e inteligência sabe que os verdadeiros interesses envolvidos no conflito iniciado pela Colômbia vão muito além do combate contra as FARC. A se seguir o raciocínio esdrúxulo exposto na referida nota, e não condenar o absurdo que foi a ação colombiana, daqui a pouco será tido como aceitável uma invasão à Amazônia brasileira pela nossa incompetência em lutar contra o desmatamento na região (afinal, o desmatamento é prejudicial ao planeta). A nota, que de tão omissa e tendenciosa parece ter saído direto do Departamento de Estado Norte Americano, não me parece adequada a um informativo feito para os profissionais do direito. O anti-jornalismo praticado atualmente pelos principais órgãos de informação do país parece ter chegado a este rotativo. Esperava mais de Migalhas. Na esperança de uma mudança de rumos e demonstrando sua indignação lhes escreve este humilde leitor do rotativo. Abraços,"

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