Novos pecados

13/3/2008
Romeu A. L. Prisco

"Não senhor, prezado migalheiro Wilson Silveira ! Corrupção não é e nem pode ser elevada à categoria de pecado. Bem, ou mal, corrupção é uma das áreas de atividade que mais gera emprego no país. Veja porque no seguinte texto de minha autoria, que escrevi há algum tempo: 

'Chega de ingratidão à corrupção ! É isso mesmo que você acabou de ler: chega de sermos ingratos com a corrupção. É preciso tratá-la com mais carinho e respeito. É preciso homenageá-la e reverenciá-la. É indispensável que ela se torne matéria de estudo obrigatório nas escolas de ensino fundamental, para que se aprenda, desde cedo, a reconhecer a quantidade de benefícios que da mesma resulta. Entre nós, corrupção não é, como muitos acham, sinônimo de praga, malefício, ou seja lá o que for de pejorativo. Nestes tempos de crise, a corrupção tem sido o segmento da sociedade, que mais gerou e que mais continua gerando empregos. Acompanhem o raciocínio. O patrão, embora corrupto, mau pagador de salários e de impostos, abre vagas no mercado de trabalho. A maioria dos empregados, que constitui a maioria da população, sem ser exatamente composta de corruptos, se vê, constantemente, perante situações que a obrigam a 'dar um jeitinho', ou a 'quebrar o galho', próximas, portanto, da corrupção. Mesmo assim, recolhe seus tributos, ora descontados diretamente na fonte, ora suportados na aquisição de bens móveis e imóveis, bem como nas operações e movimentações financeiras. Destarte, um monte de encargos fiscais vai para os cofres públicos, os quais, por sua vez, hospedam, nas esferas municipal, estadual e federal, um monte de corruptos. Diante desse quadro, um vasto esquema é acionado para apurar e combater a corrupção, esquema este que vai, desde os mais humildes policiais civis e militares, passa por investigadores, escrivães, delegados, oficiais superiores, Câmaras e Assembléias Legislativas locais e regionais, órgãos do Ministério Público e Poder Judiciário locais e regionais, Congresso Nacional, órgãos do Ministério Público e Poder Judiciário Federal, até chegar ao Supremo Tribunal, que pode mandar reabrir uma ou mais etapas dos processos, protelando o julgamento final. Obviamente, nesse longo percurso, não é de se estranhar se a corrupção, muito saudavelmente, causar outras tantas corrupções. O prédio do Fórum Trabalhista de Primeira Instância, da cidade de São Paulo, que se erigiu em símbolo nacional da corrupção, ainda dando ensejo a suspeitas, está prestes a ser inaugurado. Então, este é o momento mais oportuno, para que se preste a devida homenagem à corrupção e aos corruptos. No lugar de denominá-lo 'Fórum Trabalhista Ruy Barbosa', dever-se-ia denominá-lo 'Fórum Trabalhista Juiz Nicolau dos Santos Neto'. O ilustre jurista Ruy Barbosa já recebeu um sem número de merecidíssimas homenagens. Afinal, tenha-se em conta, que o mestre baiano foi autor de famosa frase, onde se lê que 'o brasileiro chega a sentir vergonha de ser honesto’. Esta colocação, convenhamos, não recomenda que o seu imaculado nome seja vinculado àquele símbolo. Romeu A. L. Prisco - 24.03.04'"

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