Artigo - Eu e a OAB/SP

18/3/2008
Aline Cristina de Oliveira

"É compreensível o desencanto citado pelo autor da Migalha de Peso "Eu e a OAB/SP" (Migalhas 1.859 - 17/3/08 – Romeu A. L. Prisco – clique aqui), mas não é justificável. A OAB desempenha importante papel na defesa do advogado, lutando contra abusos de autoridades e afrontas à democracia, entre outros desmandos e descalabros que acontecem nesse país. Outro papel importante da entidade é o de fiscalização dos atos dos próprios advogados, através de suas normas e de seus processos administrativos, que são sigilosos. Nem sempre é claro o resultado dessa função. Ela reverte aos advogados de forma indireta, pois protege o livre exercício da atividade, pune os maus profissionais, evita a concorrência desleal. A OAB é uma entidade única no país, que atua na luta pela manutenção do respeito que, um dia, era naturalmente dedicado aos 'Doutores Advogados'. A OAB é de todos os advogados. Os dirigentes deixam seu trabalho - individual e remunerado - para se dedicar, sem remuneração, à melhoria das condições de trabalho de todos os profissionais inscritos. Os requisitos para se candidatar a um destes cargos - trabalhosos, é preciso dizer - são fáceis de ser cumpridos. Difícil é ser merecedor da confiança da maioria de seus pares para se eleger. Alguns advogados, no entanto, preferem dizer que 'nunca comeram nesse prato', lamentando um suposto descaso da entidade. Claro que há maus profissionais, como em todos os setores. Mas o poder de selecionar os comandantes é nosso. Não podemos culpar a OAB, assim como não podemos culpar o Estado, por atos de alguns dirigentes que nós mesmos colocamos em seus cargos. Experiências ruins acontecem, mas é preciso cortá-las com sabedoria, evitando que se repitam. Nós pagamos a anuidade da OAB, elegemos seus diretores e podemos exigir deles as condutas para garantir o exercício de nossa profissão com dignidade e liberdade. Nosso ofício requer, por natureza, o efetivo exercício do direito de pleitear, de requerer, de comunicar a necessidade de determinada ação. Lamentar um advogado, com alegado desencanto, que seria melhor que a entidade não existisse, ao meu ver, é admitir que nunca foi verdadeiramente um advogado. Aquele que é vocacionado para a atividade e sabe onde estão os espinhos a serem eliminados, aponta-os a quem pode retirá-los ou se propõe a fazê-lo ele próprio. O resto é 'jus esperneandi' e não ganha causas."

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