Polemista 16/4/2008 Paulo Roberto Iotti Vecchiatti - OAB/SP 242.668 "Realmente, é curiosa a posição de Olavo de Carvalho quanto à homossexualidade. A ciência médica mundial (Organização Mundial da Saúde, Associação Americana de Psiquiatria, Conselho Federal de Psicologia etc – mesmo porque nunca existiram provas da anormalidade ou suposto caráter patológico da homossexualidade) diz que ela não é uma patologia e é tão normal quanto a homossexualidade, mas ele se recusa a aceitar que isso seja difundido... Deve ser outro com síndrome de conspiração e achar que homossexuais teriam o poder de arbitrariamente mudar a posição de órgãos nacionais e internacionais da saúde, mesmo sem nenhuma prova disso, como muitos descabidamente alegam... Curioso também esse conceito de 'gayzista': aparentemente, 'gayzista' seria todo aquele que não aceita a patologização e a discriminação contra homossexuais, já que ele condena quem defenda a difusão da normalidade da homossexualidade e exija punição a quem discrimine a homossexualidade... (quanto a este último tema, falo do PLC 122/06) Curiosa, ainda, a posição dele de que o movimento homossexual 'jamais aceitaria recuar ante a indignação das comunidades cristãs'... Ora, as comunidades cristãs também devem respeitar a minoria homossexual. Democracia não é a ditadura da maioria, democracia supõe o respeito aos direitos fundamentais de todos, inclusive das minorias. Assim, se cristãos que condenam a homossexualidade não querem que seus filhos conheçam o entendimento científico e aprendam que ela é normal, que os coloquem em escolas particulares confessionais de sua fé ou então outra que seja omissa quanto ao tema. E evidentemente não se trata propriamente de ensinar o que é homossexualidade ou heterossexualidade, mas de mostrar que algumas pessoas amam outras do mesmo sexo (homossexuais) ou de ambos os sexos (bissexualidade), apesar da maioria amar pessoas do outro sexo (heterossexuais). Historinhas de amor, tais quais as heterossexuais, só que com duas pessoas do mesmo sexo. Em suma: não se deve dar preferência ou privilégios a nenhuma concepção religiosa, ao menos no Brasil que é um Estado Laico, que, portanto, não permite que fundamentações religiosas sejam utilizadas para definir os rumos políticos e jurídicos da nação. Isso não implica em nenhum desrespeito às religiões, já que quem as quiser seguir não será prejudicado por isso. Respeito é pressuposto da vida em sociedade, um valor absoluto, donde imponível a todos, inclusive às maiorias, que devem respeitar as minorias. De qualquer forma, neste tema a ciência médica mundial diz uma coisa e o subjetivismo de Olavo de Carvalho diz outra... Ora, ora, ora... quão difícil é a escolha neste pseudo-dilema..." Envie sua Migalha