Reserva Raposa do Sol

28/5/2008
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Há, no Brasil, milhares de ONGs, coisa de 350 mil, sendo que 100 mil só na Amazônia. Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, por exemplo, que sofre com a fome, a sede e as guerras civis, as epidemias de AIDS inclusive, a ebola, os massacres étnicos e as minas terrestres. Aqui no Brasil, no nordeste brasileiro, vivem 10 milhões de brasileiros vítimas da seca, que passam fome, que passam sede, que estão sujeitos à subnutrição. Não há notícia de ONGs ajudando-os. Mas, na Amazônia brasileira, das 350 mil ONGs existentes, 100 mil atuam naquele território. Isso parece suspeito? Por que ONGs estrangeiras investem milhões (de dólares ou euros) na demarcação de terras indígenas, nas quais sequer os brasileiros podem entrar, mas onde se hasteiam bandeiras estrangeiras? Parece ser uma boa explicação que a pobreza não interessa a ninguém, que a fome não traz riqueza e que a sede não é exportável, mas que, de outro lado, ouro, nióbio, petróleo, jazidas de manganês e ferro (as maiores do mundo), diamantes, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata e a maior biodiversidade do planeta são bem mais interessantes? Dizem que essa biodiversidade, que está na Amazônia, além de inúmeras outras riquezas (que podem gerar lucros incalculáveis aos laboratórios estrangeiros) pode somar algo em torno de 14 trilhões de dólares. E isso não está onde está a fome, a sede e a desnutrição. Está na Amazônia. Está onde estão as reservas indígenas, está onde estão os índios e as ONGs 'interessadas' neles que não passam fome, sede e nem são desnutridos. Em 2006 a Revista 'Isto É' publicou uma reportagem especial sobre 'O roubo do urânio brasileiro' (clique aqui), dando informações sobre os documentos levantados na ocasião (2004) os políticos envolvidos e o que significavam os termos técnicos (torianita) dos materiais desviados ao exterior. Depois, circularam pela internet cartas, que mencionavam a tal reportagem, de um pesquisador da PUC/RJ e de um militar, que citavam a questão dos materiais radioativos e a reserva Raposa do Sol, um lugar proibido para os brasileiros (clique aqui). Agora, a questão da reserva evoluiu para a reclamação aberta do General Heleno e a atitude atabalhoada do ministro Tarso Genro, com afirmações do tipo: 'A demarcação da reserva indígena Raposa do Sol será feita na lei ou na marra' ou 'Esta história do General Heleno afirmar que a reserva indígena é um problema de soberania nacional é uma imbecilidade' ou ainda que 'vamos pressionar o Supremo Tribunal Federal para que reveja sua posição...', além da grita internacional, sintetizada pela inocente pergunta do jornal The New York Times: 'A Amazônia pertence a quem, afinal?', endossada por um coro de líderes internacionais, que defendem a área como um patrimônio não só do Brasil e dos países que dividem seu território. Teoria da Conspiração? Será? Al Gore, desde 1989, vem batendo na tecla de que: 'Ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós'. E, ao que parece, há muitos brasileiros empenhados no mesmo sentido, se lermos com atenção as matérias que se pode clicar neste comentário, e se tivermos prestado atenção às palavras do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, perguntado sobre o assunto, que respondeu que, 'Sim, a Amazônia continuará sendo nossa SE soubermos...'. Em outras palavras, agora já há um SE até em território nacional, até dentro do governo. Teoria da conspiração? Sei não."

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