Falecimento - José Granadeiro Guimarães 19/6/2008 Claudio Mauricio Freddo - escritório Freddo, Janduci, Theodoro Advogados "O Tribunal Regional do Trabalho amanhece triste nesta quinta-feira (Migalhas 1.920 - 18/6/08 - "Falecimento" - clique aqui). Entram para a história do tribunal as sustentações orais que até apenas 3 meses atrás ainda as fez o sempre advogado José Granadeiro Guimarães, já então com 92 anos completos. Conversei com ele, pela última vez, há cerca de um mês e meio, no almoço de Dia das Mães. Era, aliás, uma das ocasiões em que eu tipicamente o encontrava. Por relações familiares indiretas, nos últimos 5 anos eu desfrutei do prazer da prosa e do privilégio dos ensinamentos do Dr. Granadeiro. Melhor ainda, sempre em datas festivas - festas de aniversários ou almoço de Natal, por exemplo. Eu fazia questão de puxar a boa conversa do velho Granadeiro. Era gratificante: ele sempre estava sorridente, de bom humor, com frases espirituosas ou piadas simples. Ou então contava estórias, muitas sobre ele mesmo, já em tom saudosista. Por exemplo, nesse Dia das Mães discutimos a situação da mulher moderna. Para sustentar a diferença entre passado e presente, Dr. Granadeiro me contou como a avó dele tinha sido apresentada ao então futuro marido um dia antes do casamento! Não o conheci profundamente, mas o suficiente para admirá-lo. Relatava ter recusado, na década de 60, convite para ser ministro do Tribunal Superior do Trabalho – para continuar na advocacia. Com orgulho, contava que começou seu escritório de advocacia trabalhista praticamente do nada – como se sabe, é hoje respeitada banca, desde o começo na praça Ramos de Azevedo. Aliás, essa é outra das estórias que ouvi do Dr. Granadeiro: ainda em início de carreira, na década de 40, encontrou um colega mais velho na rua, no centro, na ‘cidade’. Pararam para um café e, empolgado, o jovem Granadeiro disse ao colega que pretendia investir em uma nova área do direito, que parecia bastante promissora – a do direito do trabalho. O amigo teria ficado um pouco perplexo e, educado, até comentado que não tinha certeza se seria a melhor decisão o então iniciante advogado enveredar-se por uma área desconhecida. Granadeiro seguiu seu caminho. O resto da estória se conhece. Dr. Granadeiro tinha a advocacia em seu código genético. De um lado, neto e filho de advogados. Do outro, pai e avô. Ele, em especial, um grande nome, reverenciado entre os colegas e, em particular, na sua casa predileta, o TRT/SP, onde fazia várias sustentações em um único dia. Formou-se em 1939 pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Viveu quase 70 anos de advocacia. Deixa saudades." Envie sua Migalha