Operação Satiagraha

16/7/2008
Wilson Silveira - CRUZEIRO/NEWMARC PROPRIEDADE INTELECTUAL

"Satiagraha ou Senti a Grana? Do jeito que as coisas vão, Senti a Grana pega melhor. O delegado, o tal que ninguém sabe quem é, que escolhe o nome das operações da Polícia Federal, um literato, dessa vez se enganou redondamente e deu margem para o trocadilho, a mais baixa forma de comunicação, segundo meu falecido pai. Mas, a verdade é que, ao que parece, a grana foi sentida, e como. Até parede falsa na casa do banqueiro. Igualzinho como no caso do traficante Abadia. Tudo nas paredes falsas. HDs, disquetes, anotações de propinas, estava tudo lá para o caso de uma necessidade. E agora, José? Logo agora que o Protógenes tinha esse curso que não podia faltar, senão iria perder por ausências excessivas. Mas o Chicaroni, o braço direito, um tanto esquerdo hoje, esse fica 'guardado', como se diz na gíria policial, enquanto o capo vê o que dá para fazer, reorganizar as fileiras, guardar o forte, dar uns telefonemas, coisinhas assim, que lá de dentro estava difícil. Será que alguém tem dupla cidadania? Com o Cacciola deu certo. Por algum tempo, mas deu. É só não ir para Mônaco, isso nunca, que o Príncipe, já se sabe, não está para brincadeiras. Nem o Juiz de Sanctis. O homem é porreta. Não vai deixar barato. Se bem que US$1 milhão não é exatamente barato. Há advogados, hoje em dia, cobrando até cinco vezes mais só de honorários. A coisa anda braba. Deve ser a aceleração do crescimento. As coisas andam crescendo muito e muito rapidamente, como nunca neste país. Sei não, mas esse novo caso abafou todos os anteriores. Agora, será preciso torcer para a chegada do Cacciola, para abafar esse, e tudo voltar ao normal, já que o caso da Varig ficou para trás e, com o Cacciolla 'encaciolado', o presidente e sua pupila poderão voltar ao palanque. E o Brasil seguir, calmamente, para as novas eleições."

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